A Justiça de Primeiro de Maio (Região Metropolitana de Londrina) suspendeu, liminarmente, a eleição para a Mesa Executiva da Câmara de Vereadores da cidade, realizada no último dia 15, e determinou um novo pleito para a escolha da presidência. Conforme a decisão, o presidente atual, Paulo Fernandes (PSDB), teria, irregularmente, proclamado a vitória de Claudinei Camilo (PSD), o Montanha, por ser o mais velho, depois de empate na votação.
Os nove vereadores participaram da disputa, divididos em duas chapas. Durante a apuração, o voto de José Oliveira Neto (PPS), o Zé da Arara, da chapa de oposição, foi considerado nulo pelo presidente. "Os escrutinadores me trouxeram aquela cédula separada porque não entenderam o voto e contaram como nulo. Eu tinha avisado os vereadores que era preciso fazer um 'X', mas aquele era um risco que não dava mesmo para entender", justificou Fernandes. A chapa opositora tinha ainda Elenilson Espanhollo (PDT), Donizete Treze (PP), Carlos Dias (PMDB) e Everaldo de Amorim (PSD).
O advogado do grupo, Maurício Carneiro, afirmou que "embora Zé da Arara não tenha colocado o 'X', ele ficou um pouco nervoso na hora e escreveu 'Sim', isso é suficiente porque, segundo o código eleitoral, nas votações manuais o que vale é a intenção de voto". No pedido de liminar, Carneiro também questiona a dificuldade para acessar os documentos referentes à eleição, realizada na última sessão do ano.
Na liminar, o juiz da Vara Cível de Primeiro de Maio, Gabriel Kutiansky Gonzalez Vieira, determinou a realização de sessão extraordinária para novo pleito no prazo de até 72 horas após a notificação. Paulo Fernandes foi intimado ontem. Escreve o juiz que, mesmo que houvesse empate, nova eleição deveria ser convocada pelo presidente.
No entanto, o advogado da Câmara, Helio Camargo, argumenta que para a eleição do segundo biênio "o regimento não estabelece regra e cabe ao presidente decidir as questões controversas". Camargo, que deverá recorrer da liminar, defende a nulidade do voto de Zé da Arara. "Depois da contagem ele declarou o voto em plenário, quebrando o sigilo, o que já se configura nulidade."
Quanto à disponibilização da ata referente à sessão, o presidente negou que esteja impedindo o acesso. "Temos prazos regimentais para disponibilizar documentos solicitados e estamos seguindo." Ontem à tarde, Fernandes ainda não sabia confirmar se convocaria novas eleições na Câmara de Primeiro de Maio.

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