Curitiba A justiça determinou ontem o afastamento do prefeito de Prudentópolis, Vilson Santini (PMDB), por irregularidades em um concurso público promovido no início do ano. A decisão partiu da juíza Cláudia Sanine Ponich Bosco, que determinou também a prisão de um advogado. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público (MP), o prefeito teria participado da fraude e o advogado teria coagido pessoas que testemunharam no caso. O promotor de justiça de Prudentópolis, Rodrigo Leite Ferreira Cabral, em entrevista ontem à Folha, no início da noite, informou que a prefeitura já havia sido notificada e Santini, afastado. Prudentópolis está localizada 64 km a leste de Guarapuava.
A decisão atende liminares requeridas em ação civil pública e denúncia criminal ajuizadas anteontem, pela Promotoria de Justiça de Prudentópolis. Também na quarta-feira, o MP protocolou ação civil pública requerendo a anulação do concurso, pedido que ainda não foi apreciado pela Justiça.
Segundo a assessoria de imprensa do MP, na ação civil pública que pede a condenação de Santini por improbidade administrativa pela suposta fraude no concurso também são citados o servidor municipal e então presidente da comissão do concurso, Miguelzinho Petel, a empresa Instituto Vida e Saúde, responsável pelo concurso, e Lucia Santini, ex-mulher do prefeito e atual secretária municipal de Assistência Social. O MP-PR apurou que a empresa que realizou o concurso foi contratada sem licitação.
Também foram apontados pelas investigações da promotoria indícios de fraude. Um exemplo apontado pela assessoria de imprensa do MP é que para as vagas de motorista, operador de máquina e operador de motoniveladora era exigido como requisito mínimo para a inscrição, a carteira nacional de habilitação categoria D. O MP constatou que vários dos candidatos aprovados não têm essa licença e mesmo assim fizeram a prova e foram classificados. Também foi apurada pela promotoria a adulteração de notas e consequente promoção na lista de aprovados de vários candidatos após interposição de recurso. Ainda segundo o Ministério Público, muitos parentes ou amigos próximos de servidores, do prefeito e da secretária de Assistência Social figuram neste grupo.
O advogado Juliano Garcia, que também é servidor municipal, foi denunciado criminalmente por coação, ou seja, por ameaçar testemunhas arroladas pelo Ministério Público durante a investigação do caso. Foi apurado que algumas pessoas teriam sido coagidas por Garcia a mentir nos depoimentos prestados à promotoria ou mesmo a dizer que mentiram. Por conta dessa postura, o MP-PR, além da ação penal, pediu a prisão preventiva do advogado. A reportagem da Folha procurou ontem a prefeitura de Prudentópolis, mas como já passavam das 18 horas, ninguém atendeu os telefonemas. O serviço de informação telefônica não disponibiliza números do prefeito e do advogado.

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