Justiça decreta seqüestro dos bens de Orlando Bonilha
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Os juízes Délcio Miranda da Rocha e Zilda Romeiro, em atendimento a solicitações protocoladas esta semana pelo Ministério Público (MP), decretaram ontem o seqüestro de 26 terrenos no Cemitério São Paulo e de uma casa na Avenida Saul Elkind, e a busca e apreensão de um veículo Corsa - cuja propriedade é atribuída ao ex-vereador Orlando Bonilha (PR). As decisões foram tomadas em dois processos distintos, que tramitam na 3ªe 5ªVaras Criminais de Londrina, mas embasadas em fatos semelhantes: a utilização de laranjas para ocultar bens do ex-vereador. Segundo o promotor Renato de Lima Castro, as medidas foram tomadas de forma cautelar para garantir o ressarcimento, ao final dos processos, de posses obtidas ilicitamente.
Bonilha está foragido desde a última quarta-feira, quando teve a prisão preventiva decretada pela juíza Fabiana Bressan, da 5ª Vara Criminal,
por suposta cobrança de
propina em alteração de lei de zoneamento.
O seqüestro relacionado à casa e ao veículo, que se encontra na 3ª Vara, o pedido do MP aponta que o ex-superintendente da Acesf Osvaldo Moreira Neto confessou em depoimento que figura como proprietário de um imóvel na Saul Elkind (nº 4.195), com construção quase concluída de 280 m2, sendo que o imóvel, na verdade, é de propriedade de Orlando Bonilha. No mesmo depoimento, Neto também admitiu ter adquirido em seu nome um veículo Corsa que pertence ao ex-vereador. Além da declaração, ele entregou aos promotores um pen drive em que aponta os gastos de Bonilha na aquisição do imóvel e construção da casa. Para o MP, ficou clara a intenção de Bonilha de escamotear a real propriedade dos bens.
No processo da 5ª Vara Criminal, o seqüestro dos 26 terrenos do Cemitério São Paulo resultou da investigação do MP que também conta com o depoimento de várias pessoas ligadas ao ex-vereador que admitiram ter comprado lotes em licitação pública, pelo menor preço, em nome de Bonilha. O vereador Rubens Canizares (PHS) e o controlador da Câmara Municipal, José Alfredo de Paula Junior, são dois dos laranjas confessos desta operação. Moreira Neto também confirmou que a operação foi ilícita.
O promotor Renato de Lima Castro afirmou que o seqüestro dos bens impede a realização de qualquer operação legal - entre compra, venda e transferência.
O advogado Ronaldo Neves, defensor de Bonilha, não foi localizado ontem pela FOLHA para comentar o assunto.


