MPF informou que novo diretor-geral do DER-PR, Paulo Montes Luz, também está sendo investigado na Operação Integração
MPF informou que novo diretor-geral do DER-PR, Paulo Montes Luz, também está sendo investigado na Operação Integração | Foto: Divulgação/DER



Curitiba – Os cinco presos temporariamente na Operação Integração, braço da Lava Jato deflagrado com o objetivo de apurar suspeitas de corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na concessão de rodovias federais no Paraná, ficarão detidos preventivamente por tempo indeterminado. A conversão da pena foi determinada nesta sexta-feira (2) à noite pela juíza federal substituta Gabriela Hardt.

Entre os detidos estão o ex-diretor-geral do DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem), Nelson Leal Júnior, o diretor-presidente da Triunfo Econorte, Hélio Ogama, e o administrador da empresa Rio Tibagi, subsidiária do Grupo Triunfo, Leonardo Guerra (ambos residentes em Londrina). Os outros presos na operação deflagrada semana passada são Oscar Alberto Gayer da Silva, ex-funcionário do DER-PR, e Wellington de Melo Volpato, sócio da Eco Sul Brasil Construtora. Sandro Antonio de Lima, também funcionário da Econorte, teve negado pela Justiça federal o pedido de prisão por parte do Ministério Público Federal. A pena foi convertida em cumprimento de medidas cautelares. No início da semana, a juíza substituta já havia prorrogado por mais cinco dias a prisão temporária dos investigados. O prazo terminou nesta sexta.

O MPF informou que o novo diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná, Paulo Montes Luz, também é investigado na Operação Integração. Em despacho de 28 de fevereiro, tornado público em 1º de março, os procuradores dizem que ele tinha "envolvimento direto na elaboração dos aditivos contestados", motivo pelo qual refutou as conclusões do órgão.
Ao assumir o cargo, no último dia 23, Luz chamou de equívoco a inclusão do DER na Lava Jato. Sobre Montes Luz, os procuradores configuram que "figurou como mensageiro da Econorte" e de Leal Jr. até um dia antes da prisão.
Durante as investigações, o Ministério Público identificou um superfaturamento de até 89% no valor das tarifas de pedágio no Paraná. O foco são duas empresas ligadas ao Grupo Triunfo, do qual faz parte a Econorte. "Apesar de não ter sido alvo de buscas e apreensões ou de prisões, [o atual diretor] é também investigado do caso, com quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático deferidas judicialmente e também apresenta um volume considerável de depósitos em espécie na sua conta-corrente", prossegue o despacho.
Ainda conforme a força-tarefa, havendo suspeitas de seu envolvimento nas ilicitudes investigadas, não devem ser suas declarações consideradas como argumento defensivo ou técnico em benefício de Leal Jr. Os procuradores acrescentam que a proximidade entre os dois citados faz com que "o afastamento formal de Leal Jr. do DER não represente um afastamento de fato". 

Outro lado
Em nota, o DER reitera o posicionamento divulgado na entrevista coletiva de 23 de fevereiro, "na qual relatou os equívocos técnicos do Ministério Público". "As alegações do MPF quanto ao novo diretor-geral somente evidenciam a função por ele desempenhada no órgão. Antes de assumir o novo cargo, ocupava a diretoria de operações, que respondia ao diretor-geral e à qual estava subordinada a coordenadoria de concessões. Entre suas funções institucionais estava a de eventualmente se reunir com técnicos da concessionária para tratar de assuntos pertinentes à sua diretoria", diz trecho.
Também de acordo com o Departamento, "todas as negociações e aditivos contratuais foram baseados na legalidade e estão fundamentados em análises da equipe técnica do órgão, respaldadas pelos órgãos de controle externo". "O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) reconheceu em outras oportunidades a atuação do DER-PR no sentido de que alterações contratuais, pautadas por aspectos técnicos, são válidas e demonstram que o DER está atento às demandas da população e ao interesse público. Com relação à movimentação financeira pessoal, o atual diretor-geral esclarece que todas as informações foram declaradas no Imposto de Renda, nunca foi questionado pela Receita Federal e está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários".

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