Justiça decreta prisão preventiva de Bonilha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A juíza da 5ª Vara Criminal de Londrina, Fabiana Leonel Bressan, decretou ontem a prisão preventiva do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) por considerar que ele está comprometendo a instrução do processo em que é acusado de cobrar propina de R$ 12 mil para alterar o zoneamento em prol de uma microcervejaria no Jardim Hedy (Zona Oeste). O depoimento de Bonilha estava marcado para ontem às 14h15, mas ele não foi encontrado para receber a intimação.
No decreto da prisão, a juíza afirmou que o ex-vereador está agindo com nítida intenção de obstruir a instrução criminal. Segundo ela, Bonilha mudou-se da residência cujo endereço consta no processo e não informou o local de sua nova moradia. A juíza alegou também que o telefone celular de Bonilha, passado por seu advogado, Ronaldo Neves, permaneceu desligado nos últimos dias: Tinha o réu conhecimento de que deveria manter endereço certo, ciente de que esta omissão poderia caracterizar conduta evasiva. Bonilha não foi localizado pela Polícia até o fechamento desta edição e já é considerado foragido da Justiça.
A denúncia contra o ex-vereador por cobrança de propina foi embasada no depoimento do empresário Nelson Dequech, que era proprietário do terreno onde foi construída a microcervejaria Fábrica 1. Em fevereiro passado, Dequech declarou ao Ministério Público (MP) que Bonilha lhe exigiu o pagamento da propina para viabilizar a alteração legal necessária ao empreendimento. O pagamento, em espécie, teria ocorrido no próprio gabinete de Bonilha, que era presidente da Câmara Municipal em 2005. A mesma acusação já foi alvo de uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa que tramita na 8ª Vara Cível.
O advogado do ex-vereador declarou que o comportamento do cliente perante a Justiça tem sido exemplar. Tanto que estamos levantando as certidões de todas as varas pelas quais ele já foi intimado para comprovar que foi, sim, encontrado, definiu. Conforme Neves, nem a própria defesa saberia informar o paradeiro do ex-vereador, tampouco eventual disposição dele para se entregar. Não tenho culpa se o oficial da 5ª Vara não o localizou, mas vamos ingressar habeas corpus para reverter essa prisão, encerrou.
Um dos promotores autor da ação penal contra Bonilha, Jorge Barreto admitiu ontem à tarde que o pedido de prisão se fez pertinente porque o réu se colocou de forma a dificultar ou impedir o andamento do processo. Questionado se eventual prisão do ex-vereador contribuiria para elucidar outras investigações na qual é alvo, Barreto respondeu: A esperança do MP sempre é a de que o réu contribua com as investigações, mas isso depende somente dele e quando da apresentação dele, uma vez preso. (Colaborou Janaina Garcia)


