A juíza da comarca de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), Adriana Marques dos Santos Ossipi, decretou esta semana a prisão preventiva do presidente do Legislativo local, vereador Antônio Vila Real (PMDB). O parlamentar foi acusado pelo Ministério Público (MP) de homicídio qualificado por supostamente ser o mandante do assassinato de Julião Aparecido dos Santos, em setembro de 2004. Segundo as informações da Polícia Civil, desde ontem ele é considerado oficialmente foragido.
O crime aconteceu a menos de um mês das eleições municipais de outubro daquele ano. Segundo o delegado que preside atualmente o inquérito, Gustavo Vieira Bianchi, Santos - conhecido na cidade por ''Picapau'' - era cabo eleitoral e tinha divergências políticas com Vila Real. Três pessoas foram presas à época do crime, entre os quais um adolescente que confessou ter disparado três vezes contra a vítima, e dois maiores. Foi por meio desses dois que os policiais afirmam ter chegado ao nome do presidente da Câmara.
Além da Polícia Civil, integrantes da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina também investigam o caso. Ontem eles estiveram em Ivaiporã para cumprir o mandado de prisão e mandados de busca e apreensão, mas nada foi localizado. Conforme o delegado, o vereador foi procurado em diversos endereços, sem sucesso.
''Havia indícios de que Vila Real tivesse desavenças com Julião, mas era certo, até então, que apenas três pessoas estivessem envolvidas no crime. Pelas investigações da PIC, porém, ano passado foram encontrados fortes indícios de que o vereador fosse o mandante'', explicou o delegado, referindo-se a supostas cartas que um dos presos teria remetido, da cadeia de Manoel Ribas, a Vila Real. Trata-se de Jessé Coelho Faria, que, a exemplo de Vagner Rodrigues Grilo (preso em Ivaiporã), já recebeu condenação pelo crime. O adolescente apreendido cumpriu medida sócio-educativa no Educandário de Curitiba, mas já foi solto - e atualmente está novamente apreendido, agora por furto qualificado.
O delegado declarou também que novo depoimento prestado por Jessé Faria em 29 de novembro passado teria reforçado a suposta participação do presidente da Câmara no caso. ''Nesse dia, ele detalhou à Promotoria de Manoel Ribas como havia sido a articulação com o vereador, inclusive de uma ajuda financeira que este teria prometido à família do preso'', complementou. Segunda-feira passada, a Justiça decretou a prisão do peemedebista.
Além de mandados de busca e apreensão, a juíza de Ivaiporã determinou, agora à Polícia Civil, a abertura de mais um inquérito policial para investigar possível participação de uma quinta pessoa no assassinato. O fato teria emergido do mesmo depoimento que complicou Vila Real, dia 29, e pode se referir a uma figura pública. O delegado preferiu não entrar em detalhes.
Se recebida a denúncia do MP e Vila Real for condenado por eventual prática de homicídio qualificado - um dos agravantes é a promessa de vantagem aos executores -, ele pode pegar de 12 a 30 anos de reclusão. O delegado disse ter informações de que ele estaria em Curitiba, situação ainda não confirmada.
A FOLHA conversou, por telefone, com a irmã do vereador, Dulce Vila Real. Ela disse desconhecer quem seria o advogado que cuida do caso, assim como o paradeiro do irmão.

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