A juíza da 3 Vara Criminal, Oneide Negrão, decretou a prisão temporária do publicitário Ruy Nogueira Netto, o 21º acusado de envolvimento nas supostas irregularidades nos termos de parceria assinados pelos institutos Atlântico e Gálatas com a Prefeitura de Londrina, investigados na operação Antissepsia. O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organziado (Gaeco), Alan Flore, foi à capital paulista ontem para efetuar a prisão, mas até às 18h30 Nogueira não havia sido localizado.
O Ministério Público não deu qualquer detalhe sobre a motivação da prisão. Nogueira foi citado em pelo menos um depoimento já colhido durante a operação: o ex-conselheiro de saúde, Marcos Ratto, que permanece preso, declarou, por meio de seu advogado Petrônio Cardoso, que Ana Laura Lino Barbosa, esposa do prefeito Barbosa Neto (PDT), exigiu a contratação do Instituto Atlântico (em novembro de 2010) por influência do publicitário.
Nogueira ajuizou ação contra o Instituto Atlântico na qual cobra R$ 300 mil que seriam relativos a serviços de publicidade prestados entre novembro e dezembro do ano passado. O processo tramita na 5 Vara Civel de Londrina.
No começo da tarde de ontem, antes de saber da decretação de sua prisão, o publicitário disse à FOLHA que mal conhece a primeira-dama de Londrina e que jamais intermediou a contratação do Instituto Atlântico, que prestava serviços na área da saúde, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). ''Eu mal conheço a primeira-dama de Londrina e não tenho qualquer intimidade com ela'', declarou.
O publicitário disse ter conhecido Ana Laura e o então candiato à Prefeitura de Londrina durante o ''terceiro turno'' das eleições municipais, em março de 2009, quando fez campanha para o pedetista. ''Eu não conhecia nem o deputado àquela ocasião. Vim para Londrina trabalhar na campanha porque o comitê nacional do PDT me solicitou. Mas fiquei apenas 11 dias na cidade'', contou. Nogueira disse que não recebeu pelo serviço à campanha de Barbosa. ''Nem me considerei credor porque não pude trabalhar em razão de divergências com o coordenador da campanha de Barbosa. Fiquei no hotel, lendo jornal e indo ao shopping.''
Mais de um ano depois, contou Nogueira, ele foi procurado em São Paulo por Bruno Valverde Chahaira, presidente do Instituto Atlântico, para fazer uma campanha de publicidade da entidade, que queria melhorar sua imagem e ganhar licitações. ''Ele disse que não tinha dinheiro, mas que se ganhasse o contrato em Londrina, me pagaria. Eu aceitei os termos, mas acabei não recebendo.''
Em razão da inadimplência, Nogueira está cobrando judicialmente o Instituto Atlântico. O serviço prestado entre novembro e dezembro do ano passado. ''Neste período, estive cerca de cinco ou seis vezes em Londrina e tenho tudo documentado'', afirmou. O publicitário disse ainda que ''seria um absurdo'' cobrar na Justiça dívidas não lícitas. ''Imagine, cobrar propina na Justiça!''
A reportagem contatou o advogado do publicitário, Fábio Martins Pereira, e ele disse que ainda não poderia falar sobre a decretação da prisão.

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