Curitiba O ex-presidente da Copel e ex-secretário de Fazenda Ingo Hubert e outras sete pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef, todos envolvidos na negociação de créditos tributários entre a estatal e a empresa Olvepar, tiveram a prisão preventiva decretada ontem pela Justiça. O Ministério Público (MP), que pediu a prisão, os acusa de formação de quadrilha e peculato fiscal. Até o fechamento desta edição, apenas três pessoas haviam sido presas. Hubert e Youssef não foram localizados pela polícia. Segundo o MP, devem ser apresentadas denúncias-crime e ação civil pública contra os envolvidos até o final de semana.
Além de Hubert e Youssef, ainda não foram localizados os advogados Antônio Carlos Fioravante Pierruccini, Luiz Sérgio da Silva e Mário Bertoni. Já foram detidos e levados para o Centro de Triagem de Curitiba três funcionários da Copel: o gerente da coordenação contábil, César Antônio Bordin; o coordenador de gestão financeira, André Grochevski; e o advogado e assessor jurídico, Sérgio Luiz Molinari. Eles foram presos ontem no início da tarde, na sede administrativa da estatal. A prisão preventiva dos acusados foi assinada pelo juiz da Central de Inquéritos, Marcelo Ferreira.
O MP já encaminhou ofício à Polícia Federal e a aeroportos com determinação para que nenhum dos acusados saia do Estado ou do Brasil. O MP acredita que todos os envolvidos ainda estejam no País, mas corre contra o tempo para evitar que Hubert e Mário Bertoni consigam deixar o País sem prestarem esclarecimentos, já que o primeiro tem cidadania alemã e o segundo cidadania italiana.
De acordo com o MP, a operação de compra de créditos tributários, referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), foi ilegal. A Olvepar faliu em agosto de 2002, e as negociações foram concluídas em dezembro passado. A Copel pagou R$ 39,6 milhões pelo crédito de R$ 45 milhões, que foi utilizado para quitar dívidas da estatal com o governo estadual.
De acordo com o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, o negócio é ilegal porque o síndico da massa falida, Vanilso de Rossi, não tomou conhecimento do negócio. Além disso, a Secretaria de Fazenda teria dado baixa contábil na dívida de R$ 45 milhões da Copel, sem que esse valor tivesse entrado nos cofres estaduais. O então governador Jaime Lerner (PFL) sabia das supostas operações fraudulentas, de acordo com o governador Roberto Requião (PMDB). Requião afirmou na segunda-feira que durante o período de transição tratou do assunto com Lerner.
O MP também afirma que Hubert reconheceu os créditos de ICMS sabendo que eles eram fictícios, já que não constavam da ação de falência da Olvepar. Além disso, Hubert não tinha competência para fazer o reconhecimento, porque a função cabe aos delegados regionais da Receita Estadual e ao diretor-geral da Coordenação da Receita.
O advogado de Hubert no caso, José Cid Campêlo, pai do ex-secretário de Estado do Governo José Cid Campêlo Filho, esteve ontem na Central de Inquéritos em Curitiba, para pegar detalhes sobre a investigação e formular o pedido de habeas corpus do cliente. Ele não quis ser fotografado.
Grochevski aparece em imagem do circuito interno de uma agência do Banco do Brasil em Curitiba, acompanhado do advogado Fioravante Pierruccini, representante da Olvepar, e do doleiro Youssef. Luiz Sérgio da Silva é sócio da empresa Rodosafra, que arrendou terminais da Olvepar no Paraná, e que recebeu R$ 3,2 milhões dos R$ 39,6 milhões negociados na operação.
Segundo o MP, cinco empresas laranjas do Rio de Janeiro receberam dinheiro desviado da operação da Copel, através de operações comandadas por Youssef. Os desvios teriam sido facilitados porque a Copel emitiu vários cheques para fazer o pagamento dos créditos.

mockup