Justiça decreta prisão de diretor da Embracon
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A 2 Vara Federal Criminal de Curitiba decretou ontem a prisão preventiva de Maurício Roberto Silva, dirigente da Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon). A prisão foi solicitada pelo Ministério Público Federal. O empresário, porém, já está preso, desde terça-feira, após a operação Trânsito Livre, realizada pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce) da Polícia Civil do Paraná em conjunto com o Ministério Público estadual. Outras 25 pessoas foram presas na mesma operação.
O empresário é investigado por crime de sonegação fiscal de R$ 4.581.864,73. Ele teria se utilizado da Embracon para lavagem de dinheiro desviado dos cofres públicos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran). O desvio teria ocorrido em contratos firmados entre a Copel e a Olvepar, cerca de R$ 39 milhões, a Copel e a Adifea, cerca de R$ 16 milhões, e o Detran a Vale Couros, cerca de R$ 9,5 milhões.
Delegados do Nurce começaram ontem a ouvir os 26 presos na operação Trânsito Livre. A operação resultou na prisão da ex-cúpula do Detran no governo Jaime Lerner e de pessoas ligadas à empresa Vale Couros (RS). Os presos estariam envolvidos na compra ilegal, por parte do Detran, de créditos tributários da empresa em 2002. O esquema teria deixado um rombo de R$ 19 milhões aos cofres do Estado.
O advogado Gláucio Pereira, em defesa do ex-diretor do Detran Cesar Franco, que está preso no Centro de Triagem em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), afirmou que não foi notificado sobre o depoimento do seu cliente, previsto para acontecer ontem à tarde. O Nurce negou a informação. As notificações teriam sido enviadas a todos os advogados dos presos.
Pereira voltou a criticar a condução da operação, que segundo ele teria ''caráter político''. O advogado entrou com um pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça (TJ). Ele afirma que Franco nega ter conhecimento, na época, de que se tratavam de créditos tributários ''podres''. Franco alega que a Vale Couros nem teria apresentado os créditos tributários ao Detran. O fato teria feito com que o Detran enviasse à empresa uma notificação extrajudicial.


