Justiça decreta novas prisões na Quadro Negro
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sábado, 16 de janeiro de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
A mulher de Eduardo Lopes de Souza, dono da Valor Construtora, Patrícia Isabela Baggio, foi presa ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP) do Paraná. A medida foi decretada pelo juiz de Direito substituto Diego Paolo Barausse, da 9ª Vara Criminal de Curitiba, que acatou a denúncia contra 15 pessoas envolvidas no escândalo revelado na Operação Quadro Negro, que apura desvio de dinheiro da Secretaria de Estado da Educação (Seed). A irmã do empresário, Viviane Souza, também teve a prisão decretada, mas seguia foragida até ontem à noite. Souza e o filho dele, Gustavo, estão presos há um mês.
Entre os réus, estão o ex-vereador de Curitiba Juliano Borghetti, irmão da vice-governadora Cida Borghetti (Pros), e o ex-diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos na Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude) Mauricio Fanini Antonio. Com a decisão, eles passam a responder por corrupção, formação de organização criminosa, fraude a licitação, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e obstrução à Justiça.
De acordo com a ação penal, a Valor Construtora, contratada pelo governo estadual para construir e reformar escolas no Paraná, recebia os pagamentos mesmo sem executar as obras. Com o apoio de servidores públicos, que atestavam falsamente que diversos serviços estavam adiantados, a empresa conseguia a liberação do dinheiro. Os fatos se estenderam de 2013 até pelo menos meados de julho de 2015, e teriam causado aos cofres públicos prejuízo estimado em R$ 18 milhões. Também participou da investigação o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil.
O juiz concede aos acusados prazo maior para a defesa previa 20 dias e não dez em razão do grande número de documentos anexados ao inquérito policial. Barausse determinou, ainda, a suspensão do exercício de qualquer atividade pública dos réus. A reportagem deixou recado no escritório do advogado de Lopes, Roberto Brzezinski Neto, mas não houve retorno. Os demais defensores não foram localizados.


