Curitiba - A Justiça Federal decretou ontem nova prisão preventiva do doleiro londrinense Alberto Youssef, desta vez, entretanto, a decisão se refere ao Caso Banestado. O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e acatado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Com a decisão, ele deve permanecer preso mesmo que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsidere sua prisão preventiva dentro da Operação Lava Jato.
No entendimento do MPF, Youssef quebrou uma cláusula do acordo feito em 2003, quando o doleiro fez uma delação premiada no âmbito do Caso Banestado, em que se comprometia a não cometer mais delitos caso recebesse o benefício. Por já ter oferecido denúncia contra Youssef referente à Lava Jato, o MPF considera que houve quebra de acordo.
O Caso Banestado envolve crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e corrupção ativa. Segundo a acusação, Youssef teria movimentado irregularmente R$ 345,9 milhões por meio de 43 contas bancárias em nomes de laranjas, entre os anos de 1998 e 1999. O doleiro também foi acusado de subornar um gerente da agência do banco em Londrina para utilizar as contas. Depois de preso, ele confessou a autoria dos crimes e foi condenado, mas assinou o acordo de delação premiada para suspender outros processos que corriam contra ele e para conseguir liberdade. Com o pedido de prisão preventiva aceito, o MPF informou, via assessoria, que está verificando quais processos devem ser reabertos contra o doleiro e quais já prescreveram.
O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, considerou a decisão um "absurdo", e adiantou que hoje vai entrar com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. Ele ressalta que a atitude do juiz paranaense foi uma retaliação ao seu cliente. "Prevendo o fim da operação (Lava Jato) ele decretou a prisão assim que o MPF fez o pedido. Já tinha entrado com uma petição no STF e alertei o ministro Zavascki de que isto poderia acontecer. Não tenho bola de cristal, não sou vidente, mas informei que o Moro era um juiz parcial. Que se a decisão dele (ministro Teori) de soltar os presos fosse mantida, o MPF iria fazer o pedido de prisão e ele iria conceder", disse.
No último domingo, o ministro Zavascki mandou soltar todos os acusados da Lava Jato, inclusive o doleiro, mas voltou atrás depois que o juiz Sério Moro alertou sobre o risco de fuga de Youssef, que teria "contas milionárias no exterior".

Força-tarefa
Em relação à Operação Lava Jato, o MPF também informou que, independente da decisão do ministro Teori Savascki, que determinou o encaminhamento de todas ações penais e inquéritos para a Suprema Corte, a força-tarefa formada por seis procuradores da República para atuar com exclusividade no caso vai prosseguir com os trabalhos. Conforme o órgão, todas as informações levantadas a partir de agora serão repassadas para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que é quem vai acompanhar o desdobramento do caso no STF.

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