A Justiça Eleitoral de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) declarou anteontem a inelegibilidade por três anos, a partir de 1996, do ex-prefeito Waldyr Pugliesi (PMDB). Ele é candidato a deputado estadual. De acordo com a Justiça, Pugliesi cometeu abuso de poder de autoridade. O juiz Délcio Miranda da Rocha acatou o pedido de investigação judicial contra o ex-prefeito, em 1996, feito pela coligação ‘‘Renova Arapongas’’. O Ministério Público havia considerado o pedido improcedente. Pugliesi irá recorrer da decisão judicial.
A coligação vencedora das eleições alegou que Pugliesi usou o cargo para divulgar uma notícia de isenção de IPTU, às vésperas do pleito, com intenção eleitoreira - para beneficiar o candidato Beto Pugliesi, sobrinho dele. De acordo com a denúncia, Pugliesi distribuiu folhetos impressos como ‘‘nota oficial da prefeitura’’ informando que ‘‘a partir de 1º de janeiro de 1997, todo imóvel residencial com até 80 metros quadrados onde resida o proprietário e sua família terá isenção de IPTU e de taxas de serviços incidentes’’.
Mas o projeto de isenção foi rejeitado pela Câmara. A Justiça entendeu que a publicidade ocorreu desfalcada de qualquer respaldo legal. ‘‘A nota oficial não teve caráter educativo ou informativo ou orientação pessoal, como determina a lei, não esclareceu sobre processo legislativo que o projeto desencadearia, caracterizando-se visível promoção pessoal e contornos visivelmente eleitorais’’, analisou o juiz.
Waldyr Pugliesi negou. ‘‘Fiz um aviso à população’’, argumentou, embora tenha admitido que o projeto de isenção do IPTU acabou sendo rejeitado posteriormente. Ele ainda não foi citado no processo. ‘‘É uma decisão de primeira instância e acredito que ela seja reformada’’. Ele lembrou que não é o único candidato a enfrentar processos. ‘‘Mas estou tranquilo e fazendo normalmente minha campanha. Sábado faço comício em Rolândia e no domingo em Santa Fé. Acho um absurdo que alguém seja punido por querer beneficiar pobre’’.Arquivo FolhaContinuaPugliesi: ‘‘Sábado faço comício em Rolândia e no domingo em Santa Fé. Acho um absurdo que alguém seja punido por querer beneficiar pobre’’.Patrícia Zanin

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