Justiça decide hoje ação contra Maluf
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quinta-feira, 22 de novembro de 2001
Paulo San Martin<br>Agência Estado - De São Paulo 
A juíza Sílvia Meirelles Novaes de Andrade, da 4 Vara da Fazenda de São Paulo, prometeu se pronunciar hoje sobre o pedido de sequestro do dinheiro do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e de familiares dele, supostamente depositados em bancos da Suíça e do paraíso fiscal da Ilha de Jersey. A solicitação foi feita anteontem, em caráter liminar, pelo Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo.
O MPE informa que tem ''indícios consistentes'' da existência e da movimentação da soma, depositada até 1997 na Suíça, em nome da empresa Blue Diamond, e que teria sido transferida para Jersey em nome da companhia Red Ruby. As duas firmas, com sede nas Ilhas Cayman, pertenceriam a Maluf e família.
Maluf nega a existência dos recursos e, ontem, acusou os promotores de promoverem ''perseguição política'' contra ele, supostamente para beneficiar o governador Geraldo Alckmin (PSDB). A Procuradoria-Geral do MP informou ontem que ''estuda'' medidas que podem ser tomadas contra Maluf por causa das declarações.
Também ontem, a promotoria da Cidadania do Ministério Público formalizou o pedido de abertura de mais três investigações envolvendo a Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplenagem, empresa acusada de servir de fachada para o desvio de verbas durante a construção do Túnel Ayrton Senna, em São Paulo, na gestão de Maluf.
A promotoria quer que sejam investigadas as atuações da Lavicen durante as obras da Rodovia Carvalho Pinto, da canalização do córrego Cabuçu, em São Paulo, e das obras de saneamento do córrego Anhumas, em Campinas.
Em 97, durante a gestão do ex-governador peemedebista Luiz Antônio Fleury Filho, hoje deputado federal pelo PTB, a Lavicen recebeu R$ 4,5 milhões por serviços supostamente realizados nas obras da Carvalho Pinto. No mesmo ano, na gestão do ex-prefeito Celso Pitta (PTN), a empresa recebeu R$ 5,5 milhões para atuar nas obras do Cabuçu. Em 98, recebeu R$ 500 mil da verba destinada ao saneamento do Anhumas, na gestão do ex-prefeito de Campinas Francisco Amaral (PPB).
O recebimento destes valores foi comprovado pelo MP a partir da análise dos documentos enviados, na semana passada, pela Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), e anexadas à ação que investiga o suposto desvio de verbas durante a construção do Túnel Ayrton Senna. Por supostos serviços nas obras do túnel, a Lavicen recebeu em 97 e em 98, durante as gestões de Maluf e de Pitta, mais de R$ 21,5 milhões.
A Lavicen, que teria sede no Paraná, atuava como empresa subcontratada pela CBPO. ''Nossa suspeita é que ela recebia por serviços que nunca realizou e servia como empresa de fachada para justificar desvio de dinheiro público'', afirma o promotor da Cidadania Luiz Sales do Nascimento


