A Justiça de São Paulo decretou ontem a quebra do sigilo bancário e telefônico do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) no caso Jersey. Também foi determinado o desbloqueio de dados confidenciais da ex-primeira-dama Sylvia Lutfalla Maluf, dos quatro filhos do casal (Flávio, Otávio, Lina e Lígia) e de uma nora, Jacquelline.

A decisão foi tomada pelo juiz-corregedor Maurício Lemos Porto Alves, acolhendo um requerimento do Ministério Público Estadual (MPE) que investiga a suposta existência de ativos (cerca de US$ 200 milhões) em nome de Maluf e de familiares dele no paraíso fiscal do Canal da Mancha. É a primeira vez que a Justiça quebra o sigilo da família Maluf.

O MP requereu também acesso a dados fiscais de Maluf, mas o juiz-corregedor não autorizou. Em despacho de três páginas, Alves considerou ''prematura a propugnada quebra do sigilo fiscal''. Ele assinalou que, ''se confirmada a existência de tal valor (dinheiro em Jersey), prosseguirá a investigação acerca de sua origem''.

O rastreamento telefônico deverá alcançar apenas as ligações internacionais, a partir de 1º de janeiro de 1993 data da posse de Maluf na prefeitura até hoje. Quanto ao sigilo bancário, o levantamento compreende eventuais aplicações dos Maluf em Jersey no mesmo período. A ordem de Alves será traduzida e encaminhada ao Law Officers Departament do Estado de Jersey, órgão equivalente ao MP na ilha.

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