Justiça da Itália autoriza extradição de Pizzolato
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Jamil Chade<br>enviado especial Agência Estado 
Roma - A Corte de Cassação em Roma anunciou ontem que autoriza a extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado por envolvimento no mensalão, para o Brasil. O julgamento ocorreu na quarta-feira, em Roma, mas a sentença foi pronunciada apenas na manhã de ontem. A defesa de Pizzolato afirmou que vai recorrer da decisão de extraditar o brasileiro à Corte Europeia de Direitos Humanos. O advogado Alessandro Siveli sinalizou, no entanto, que Pizzolato está disposto a cumprir a pena na Itália.
Momentos depois do anúncio da extradição, o ex-diretor ítalo-brasileiro se apresentou à polícia de Maranello e, na sequência, foi levado para a prisão de SantAnna, na cidade de Módena, a 20 km de distância, no norte da Itália. A partir de agora, o caso de Pizzolato deixa a esfera judicial e passa para o âmbito político Caberá ao ministro da Justiça do governo do premiê Mateo Renzi, Andrea Orlando, uma decisão final sobre o caso, num prazo máximo de 45 dias.
Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão no Supremo Tribunal Federal por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, ele fugiu para a Itália no segundo semestre de 2013, quando a Corte rejeitou recursos dos sentenciados. Pizzolato entrou no país europeu com passaporte falso - de um irmão morto há mais de 30 anos. Em fevereiro do ano passado, ele foi localizado na casa de um sobrinho em Maranello e levado preso para Módena. Em outubro de 2014, a Corte de Apelação de Bolonha rejeitou o pedido de sua extradição para o Brasil e autorizou que ele fosse libertado.
Há dois dias, os advogados de Pizzolato utilizaram, pela primeira vez, o caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti como argumento de defesa para que Pizzolato não seja extraditado Battisti está foragido no Brasil após ser condenado na Itália por assassinato à prisão perpétua. Ele foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, com atuação no final dos anos 1970 contra a repressão. Seu pedido de extradição para Itália foi negado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010. Os advogados de Pizzolato sustentam que o ex-diretor do Banco do Brasil não pode ser extraditado por falta de uma prática de reciprocidade por parte do governo brasileiro no caso de Battisti.


