Os advogados do PFL tiveram pela primeira vez, ontem, acesso aos 12 volumes que compõem a investigação feita pelo Ministério Público (MP) Estadual sobre a possível existência de um caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). A Justiça Eleitoral concedeu na manhã de ontem uma liminar solicitada pelo advogado do partido, Antônio Figueiredo Basto, que requeria acesso aos depoimentos, notas fiscais e demais documentos que estavam sendo mantidos sob sigilo pelos promotores do MP.

Basto comemorou a decisão da Justiça. ''Agora, as coisas ficam equilibradas. O Poder Judiciário agiu com competência e mais uma vez coibiu os excessos do MP'', comentou. O advogado reiterou a intenção de assistir a todos os depoimentos relativos ao caso que forem prestados a partir de agora. No dia 5 de dezembro, promotores e advogados se desentenderam quando o advogado Omar Elias Geha insistiu em presenciar o testemunho de Marcelo Bueno, diretor da Risotolândia.

Basto pretendia encaminhar um pedido de desagravo à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pelas atitudes dos promotores da semana passada. Mas, após uma reunião com os promotores ontem, a intenção pode ser abandonada. ''Conversamos sobre o episódio e chegamos a um entendimento. Não queremos tumultuar as investigações'', afirmou.

Dentre os documentos analisados ontem pelos advogados do PFL estavam as fotocópias do livro-caixa original manuscrito pelo tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Júnior. Apesar de os promotores só terem confirmado estar de posse do documento original ontem, a Folha divulgou o fato no dia 5 de dezembro. O livro-caixa é considerado uma peça-chave nas investigações, por conter indícios de uma movimentação de R$ 29,8 milhões não declarados ao TRE. O MP também investiga cheques em branco assinados pelo coordenador financeiro de Cassio, Mário Lopes Filho.

O coordenador financeiro teve sua caligrafia analisada pelos técnicos do Instituto de Criminalística do Paraná, que confirmaram ser dele a letra encontrada em alguns bilhetes. O MP encaminhou ontem para a perícia mais duas folhas manuscritas por Lopes Filho com indicações de pagamentos a empresas, além de dois documentos que contêm a rubrica do coordenador.

O MP também pretende solicitar hoje informações junto à Polícia Federal (PF) para saber a razão de não ter sido designado um delegado para o caso até agora. A PF foi notificada no dia 30 de novembro, mas até agora não iniciou seus trabalhos. ''Tentaremos entrar em contato com a superintendência amanhã para saber o motivo da demora'', anunciou o promotor eleitoral Valclir Natalino da Silva.

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