Justiça condena Paulo Arildo em ação por racha salário
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
Paula Barbosa Ocanha<BR>Reportagem Local 
Uma decisão do juiz da 10 Vara Cível, Álvaro Rodrigues Junior, condenou ontem o vereador Paulo Arildo (PSDB) e sua mulher, Valéria Cristina de Oliveira Domingues, pela prática de ato de improbidade administrativa. O juiz decretou o ressarcimento integral dos valores que foram repassados pelos seus ex-assessores ao vereador, acrescido de juros de mora de 1% ao mês, bem como a suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 10 anos e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais pelo prazo de três anos. O réu ainda pode recorrer em segunda e terceira instância no Tribunal de Justiça (TJ) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A ação, protocolada em 2009 pelos promotores de Defesa do Patrimônio Público Leila Voltarelli e Renato de Lima, denuncia o vereador por suposta divisão de salário com quatro parlamentares. A denúncia, baseada nos depoimentos e extratos bancários dos ex-assessores, já gerou o afastamento liminar de Arildo do cargo durante 14 dias em setembro do ano passado. Somente uma assessora negou o repasse em seu depoimento, mas a quebra de sigilo de sua conta revelou depósitos em datas e valores semelhantes aos dos demais. O juiz aceitou a argumentação e determinou o afastamento do tucano. O valor do repasse teria sido de R$ 16.480.
O vereador afirmou ainda não ter sido notificado, mas que vai recorrer da decisão. ''Me estranhou muito a decisão do juiz, já que levamos provas que isso não aconteceu. Recorrer será um fato bem lógico. Eu fui pego de surpresa.'' E ainda enfatiza: ''Não tem lógica a decisão do juiz. Estou tranquilo, não temo perder o mandato. Vamos recorrer até a última instância''.
Paulo Arildo ainda ressaltou que os assessores repassavam parte do salário por conta de dívidas que eles teriam com o vereador e sua esposa. ''Eu levei a gerente do posto de gasolina, comprovando que todos eles abasteciam seus carros particulares em meu nome. Pegavam cheque e cartão de crédito emprestado da minha esposa''.
''O que aconteceu foi um fato político. Os assessores que saíram do cargo foram trabalhar com o secretário Marco Cito (Gestão Pública), então isso foi pura motivação política. Inclusive, eu tenho a foto de um carro que um dos assessores comprou no meu nome, porque não tinha crédito, que estava com o adesivo do ex-candidato a vereador, que hoje é um dos secretários do prefeito. Então isso vai ser esclarecido.'' Marco Cito, secretário de Gestão Pública, negou que tivesse alguma participação no episódio ainda em 2008, quando ainda não havia assumido o cargo na prefeitura.


