Curitiba - Justiça Federal do Paraná condenou, nesta quinta-feira (4), oito réus da Operação Hashtag. Eles são suspeitos de terem ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico. O líder do grupo foi condenado a 15 anos de prisão, sendo 13 em regime fechado; outros seis integrantes a seis anos de prisão; e um a cinco anos de detenção.

Leonid El Kadre de Melo, Alisson Luan de Oliveira, Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo, Israel Pedra Mesquita, Levi Ribeiro Fernandes de Jesus, Hortencio Yoshitake e Luis Gustavo de Oliveira foram condenados por promoção de organização terrorista e associação criminosa. O líder do grupo, Leonid, também vai responder por recrutamento com propósito de praticar atos de terrorismo.

É a primeira condenação com base na lei antiterrorismo, sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em março de 2016. As investigações começaram pouco antes das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Na decisão do juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, há imagens das trocas de mensagens entre os membros do grupo de modo a demonstrar o que seria o início da formação de uma célula terrorista no Brasil.

Segundo o material apresentado na denúncia do Ministério Público, a ideia do grupo era encontrar um sítio na divisa com a Bolívia para fazer treinamentos com armas. Depois dos treinos, alguns integrantes seriam enviados para atuar no Oriente Médio. Outros ficariam no país treinando novos interessados.

Os integrantes do grupo, intitulado como "Defensores da Sharia" (lei islâmica), ainda manifestam a intenção de "tomar proveito da situação em nosso proveito" caso houvesse um golpe militar ou guerra civil no Brasil.

As investigações apontam que os integrantes também falavam sobre a possibilidade de aproveitar o momento das Olimpíadas para a realização de atos terroristas e sobre como fazer bombas caseiras.
Nenhum ato chegou a ser praticado. Segundo o juiz, o projeto estava se estreitando e só "não avançou (…) porque todos foram presos".

A comunicação era feita pela internet, por meio de redes sociais e aplicativos de troca de mensagens. Eles também usavam o bate-papo de jogos on-line para conversar. As atividades do grupo estavam sendo monitoradas por grupos de inteligência do governo federal.
Os investigados foram presos em nove Estados – Paraná, Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

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