Justiça condena Neco Garcia a 6 anos de prisão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de junho de 2005
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid, foi condenado pela Justiça Federal em Curitiba a seis anos de prisão e a pagar 3.750 salários de multa.
A decisão, da 2 Vara Criminal Federal, saiu na terça-feira, mas só foi divulgada ontem. Cabe recurso junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre (RS). O ex-presidente do Banestado disse que ficou sabendo da decisão através da reportagem da Folha, mas não comentou o assunto.
Neco também ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná presidiu o Banestado de meados de 1997 até janeiro de 1999. O banco foi privatizado em outubro de 2000, quando foi comprado pelo banco paulista Itaú.
O ex-presidente do banco foi denunciado pela força-tarefa CC5 do Ministério Público Federal (MPF) em setembro do ano passado por crime contra o sistema financeiro nacional, durante sua gestão no banco.
Segundo a Justiça Federal, Neco foi condenado por crime contra o sistema financeiro nacional (gestão temerária) a pena de seis anos de reclusão e ao pagamento de multa equivalente a 3.750 salários mínimos (cerca de R$ 1,125 milhão).
O ex-presidente do antigo banco estatal foi condenado por determinar o pagamento de R$ 1.967.323,58 à empresa Bauruense Serviços Gerais S/C Ltda. No final de 1998, a Bauruense solicitou ao então presidente Manoel Garcia Cid o pagamento de indenização pelo valor que teria deixado de ganhar por ter aplicado no Banestado, pois outro banco teria remunerado, em operações passadas, seus investimentos com taxas melhores do que aquelas pagas pelo banco paranaense.
O pedido, contrário às regras de mercado, conforme a Justiça Federal, foi aceito pelo ex-presidente. A Justiça informou ainda que, ao longo da ação penal, foi constatado que as aplicações da Bauruense eram remuneradas com as melhores taxas pagas pelo Banestado. Os valores foram transferidos para a conta da Bauruense em janeiro de 1999.
A maior parte do dinheiro foi imediatamente sacada em espécie e depositada em outro banco, impedindo assim que a nova diretoria do Banestado, que assumiu dez dias após, adotasse medidas para reverter a operação. A Folha não conseguiu contato com a Bauruense. (colaborou Cristiane Oya)


