Curitiba - Dois ex-diretores da Banestado Leasing Luiz Antonio Eugenio de Lima e José Edson Carneiro de Souza foram condenados a oito anos e 11 meses de prisão, além de pagamento de multa, por crimes de corrupção passiva e gestão temerária. A sentença, proferida na última quinta-feira pelo juiz da 3 Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, Nivaldo Brunoni, foi divulgada ontem. Ambos eram acusados de, entre 1995 e 1996, autorizar operações de crédito que beneficiaram empresas em dificuldades financeiras. Além deles, outras sete pessoas foram condenadas, incluindo sócios e diretores das empresas e o consultor Euzir Baggio, apontado como intermediário das negociações.
Lima e Souza teriam liberado empréstimos em favor de sete empresas. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que originou a ação judicial, o valor total das operações chegou a R$ 17.143.987,00 em valores da época. Na sentença, o juiz ressalta que as empresas se encontravam em situações econômica-financeiras precárias e teriam, ainda, restrições cadastrais.
Os sócios-gerentes das empresas teriam contratado Euzir Baggio para intermediar a liberação dos valores junto à diretoria da Banestado Leasing, que era controlada pelo Banco do Estado do Paraná, privatizado em outubro de 2000. Para isso lhe pagavam uma comissão de 5% sobre os valores liberados. Baggio teria subornado Lima e Souza, depositando em contas correntes dos dois e de suas esposas parte dos valores que recebia das empresas. Segundo o MPF, os dois ex-diretores receberam R$ 885.844,00 em propinas. Os depósitos foram constatados por meio de quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça.
Por isso, Lima, Souza e Baggio foram condenados a oito anos e 11 meses de reclusão. Já os seis sócios ou diretores das empresas pegaram penas de sete anos de prisão cada um, em regime inicial semi-aberto, além de multa, por crime de corrupção ativa e gestão temerária. São eles: Hilton Chipon, da Cristo Rei Agência de Viagem e Turismo Ltda.; Jacob Abrahams, das Indústrias Trevo Ltda.; Maria Emília Moreno Guimarães, da Unidas Artes Gráficas e Editora Ltda.; Marcos José Olsen, das empresas Wiegando Olsen S/A e Olsen Veículos Ltda.; Cezar Antonio Bonet, das Indústrias Bonet S/A; e Dionísio Serena Junior, da Indústria Gráfica e Editora Serena Ltda.
Em sua sentença, Brunoni considerou que os ex-diretores da Banestado Leasing, ''ao autorizar as operações sem qualquer fundamentação e relegando inúmeros aspectos negativos e até mesmo impeditivos, submeteram a instituição financeira a uma situação de risco extraordinário e absolutamente desnecessário''. Na decisão consta, ainda, que Lima e Baggio tinham íntima relação de amizade, o que possibilitava que este tivesse ''trânsito'' junto ao Comitê de Crédito, que aprovava as operações.
Os condenados podem recorrer da sentença junto ao Tribunal Regional Federal da 4 Região, em Porto Alegre. Os advogados de defesa de Baggio e Chipon afirmaram ontem que ainda não haviam sido notificados da decisão. Mas garantiram que, assim que tiverem acesso à sentença, entrarão com recursos. Os advogados dos demais condenados também foram procurados pela reportagem, mas não deram retorno.

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