Justiça condena ex-deputado a quase 8 anos de prisão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de agosto de 2006
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Justiça Federal condenou, em primeira instância, o ex-deputado e ex-prefeito de Curitiba Algaci Tulio a 7 anos e cinco meses de prisão por crime contra o sistema financeiro. Até há alguns meses, Tulio era coordenador estadual do Procon, mas licenciou-se para concorrer nas próximas eleições ao cargo de deputado estadual pelo PMDB. Na década de 90, ele foi vice-prefeito de Jaime Lerner.
A decisão do juiz da 3 Vara Criminal, Nivaldo Brunoni, saiu na semana passada, mas só foi divulgada ontem pela assessoria de imprensa da Justiça Federal do Paraná. Tulio também foi condenado a pagar 420 dias-multa, equivalente a 420 vezes 1/3 do salário mínimo vigente na época do crime.
Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal, além de Tulio também foram condenados nove diretores do Banestado e três empresários por envolvimento em crime de falsidade ideológica e gestão temerária. De acordo com a sentença, no ano de 1996, as empresas de Algaci Tulio que prestaram serviços de propaganda política realizaram empréstimos junto ao Banco Banestado, sem no entanto terem lastro financeiro para honrar o pagamento. Ainda conforme a Justiça Federal, depois de sucessivas renovações dos empréstimos e concessões de novos valores, o montante da dívida chegou ao patamar de R$ 2.391.581,45. Na composição da dívida, deu-se um desconto direto de R$ 443.327,20. O restante (R$ 1.948.254,25) foi pago por meio de percentagem de um precatório, recebido pelo valor de face quando no mercado o título era comercializado com desconto de 65%. Assim, teria sido pago, do total da dívida, apenas R$ 681.888,90.
A Justiça Federal explica também que na composição da dívida foi ainda autorizada a liberação de mais R$ 670.000,00 à empresa Documenta Produções Cinematográficas Ltda. De acordo com a sentença proferida pelo juiz, ''por meio de um estratagema assaz ardiloso, a dívida simplesmente foi zerada''. Além da Documenta, a sentença cita as empresas AT Computação Gráfica Ltda e Estúdios Unidos Comunicação e Marketing S/C Ltda. As empresas pertenciam a Algaci Tulio e ao filho dele, Marcelo Tulio. Um dos diretores do Banestado citados no processo seria sobrinho do ex-deputado.
Até a tarde de ontem, Algaci Tulio não havia sido intimado da decisão do juiz. Ele conversou pelo telefone com a reportagem da Folha e disse que deverá convocar uma coletiva de imprensa para se defender da acusação e esclarecer o fato. ''É estranho que um processo de 1996 tenha terminado só agora, dois meses antes da eleição'', disse. Ele afirma ser inocente e explica que não poderia ser condenado por gestão temerária, sendo que foi avalista do empréstimo e não era funcionário do Banestado. ''Estou tranquilo. Continuo com a campanha'', avisa. O advogado Julio Militão, que representa Tulio, diz que a decisão é em primeira instância e que ele vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da 4 Região, em Porto Alegre.


