A Justiça Federal condenou o delegado da Polícia Federal de Londrina Sandro Viana a quatro anos e oito meses de prisão em regime semiaberto por corrupção passiva e concussão, que é quando o agente público utiliza o cargo para obter vantagens indevidas. A decisão é do juiz Robson Carlos de Oliveira, da 5ª Vara Federal de Londrina, que também determina o afastamento do delegado da função na Polícia Federal.

Também de acordo com a sentença, os efeitos da condenação são os mesmos para o diretor de uma empresa de segurança, Clodoaldo Pereira dos Santos, conhecido como "tigrinho", e que também esteve envolvido no fato criminoso que resultou na condenação de Vianna. O magistrado determina ainda o monitoramento eletrônico dos dois réus e os proíbe de manterem contato. No entanto, Vianna e Pereira ainda podem recorrer em liberdade.

De acordo com as investigações, "tigrinho" exigiu R$ 35 mil em propina de um empresário da cidade. As solicitações teriam sido feitas a pedido de Vianna e em troca de eximi-lo do indiciamento, bem como da imputação de medidas coercitivas. O empresário, proprietário de uma empresa do setor de vestuário de Londrina, era um dos investigados da Publicano em 2015 e firmou um termo de colaboração com o Ministério Público. A reportagem não conseguiu contato com a defesa deste empresário para esclarecer a situação dele na operação.

Após ser absolvido nos processos da Operação Publicano, que desbaratou um esquema criminoso milionário na Receita Estadual do Paraná, o empresário passou a responder pelos mesmos crimes em outro inquérito policial cuja responsabilidade era do delegado Sandro Viana.

Segundo o depoimento do então delegado de Londrina, Alan Flore, do Gaeco (Grupo de Atenção de Combate ao Crime Organizado), este empresário afirmou que havia recebido "uma carta de cunho ameaçador". Foi então que Flore afirmou ter encaminhado este depoimento ao Ministério Público Federal. Em seguida, o delegado ficou sabendo que uma equipe da Polícia Federal já estava monitorando conversas de Viana com autorização judicial, cujas interceptações telefônicas, além de trocas de mensagens pelo celular e via aplicativos, foram fundamentais para embasar a denúncia.

Viana e Pereira foram presos e transferidos para Brasília (DF) após a deflagração da Operação Corrumpere, em fevereiro de 2017. Na ocasião foram cumpridos seis mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão.

Conforme explicou a PF na época, "Corrumpere" é uma referência ao ato de corromper, "que causa a destruição das instituições públicas, maculando a estrutura de um País, causando em última instância prejuízos incalculáveis à nação".

A reportagem não conseguiu contato com o advogado Marcelo Leal, defesa do ex-delegado Sandro Viana em Brasília. Entretanto, segundo um de seus advogados em Londrina, a defesa deve recorrer. Já o advogado Antonio Marcelino Espírito Santo, defesa de Clodoaldo Pereira, afirmou que ainda estava analisando a sentença e deve se manifestar em seguida.

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