Justiça condena Cerveró a cinco anos de prisão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de maio de 2015
Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo<br> Agência Estado 
São Paulo - A Justiça Federal condenou a cinco anos de prisão o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró por crime de lavagem de dinheiro na compra de apartamento de luxo em Ipanema, zona Sul do Rio, hoje avaliado em R$ 7,5 milhões. A sentença é do juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato. Moro decretou também confisco do imóvel que, segundo o Ministério Público Federal foi adquirido "com produto de crimes de corrupção" na Petrobras.
Cerveró terá de pagar ainda multa no valor de R$ 543 mil.
Esta é a primeira condenação de Nestor Cerveró, no âmbito de Lava Jato. Para ocultar "a origem e natureza criminosa dos valores envolvidos na aquisição, bem como o real titular dos valores e do imóvel", Nestor Cerveró constituiu, de acordo com a denúncia da força tarefa da Lava Jato, em 12 de abril de 2007, a empresa Jolmey Sociedad Anonima no Uruguai.
Em 7 de novembro de 2008, o ex-diretor da estatal montou uma subsidiária no Brasil, a Jolmey do Brasil Administradora de Bens Ltda. O capital da empresa brasileira foi constituído por investimento direto da Jolmey, ingressando cerca de R$ 2,6 milhões do exterior. Desse total, R$ 1,53 milhão foram utilizados para aquisição do imóvel e o restante para reforma do imóvel e pagamentos de tributos e honorários advocatícios.
Cerveró está sob suspeita, ainda, de ter recebido US$ 30 milhões em propinas no âmbito da contratação de navios sondas em 2005 e 2006.
"Não há dúvida da magnitude do esquema criminoso que vitimou a Petrobras, sendo de se destacar, inclusive, que só um dos envolvidos já devolveu à Justiça Criminal cerca de 97 milhões de dólares em propinas", assinalou o juiz Moro, referindo-se ao ex-gerente de Engenharia da estatal, Pedro Barusco.
O ex-diretor de Internacional foi preso em janeiro. Ao ordenar que Cerveró permaneça na prisão, o juiz da Lava Jato cravou que é "inequívoca a presença dos pressupostos da prisão preventiva, prova de autoria e de materialidade, e isso após instrução, contraditório e debates e com cognição profunda e exauriente dos fatos, provas e direito".
O advogado Edson Ribeiro, que defende Cerveró, afirmou que vai recorrer da decisão.


