Curitiba - Seis ex-diretores da Banestado Leasing foram julgados, no último dia 28, pela 3 Vara Criminal de Curitiba. Um foi condenado a quatro anos e seis meses de reclusão e pagamento de multa. Quatro foram condenados a três anos e três meses de reclusão, em regime aberto, e multa de 60 salários-mínimos cada. Todos por gestão temerária, durante a gestão de Osvaldo Magalhães dos Santos, morto num acidente de carro em 1998, quando na época era secretário de Estado de Esporte e Turismo. Outro ex-diretor foi absolvido, por falta de provas. A Justiça condenou ainda o empresário de Sergipe, José Edivan do Amorim, genro do ex-governador João Alves Filho, a sete anos, nove meses e dez dias de reclusão, e multa. A condenação de Amorim, entretanto, está suspensa, porque o empresário conseguiu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o trancamento da ação penal. Assim como o ex-governador João Alves, já havia obtido anteriormente.
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP) federal, acatada pela Justiça, os ex-diretores da Leasing autorizaram em 1995 e 1996, de forma temerária e fraudulenta, a concessão de várias operações de créditos a favor das empresas Amorim Sergipe Transportes, Rápido Laser e Habitacional. Os empréstimos para a Rápido Laser e a Habitacional teriam sido obtidos de maneira fraudulenta por um funcionário de Amorim, este também condenado, por ser laranja, a quatro anos e quatro meses de reclusão, só que em regime semi-aberto, mais multa, pelo crime de obter, mediante fraude, financiamento em instituição financeira. De acordo com os autos do processo, o prejuízo da Banestado Leasing, calculado em maio de 2000, chegava ao montante de R$ 28 milhões. Os empréstimos teriam sido concedidos mediante influência política junto ao ex-deputado federal Joaquim dos Santos Filho, pai de Osvaldo Magalhães, e ao ex-governador Jaime Lerner (PSB).
Segundo a sentença, foram diversas as irregularidades praticadas pelos réus nas operações autorizadas pela Banestado Leasing. A empresa Amorim Sergipe Transportes, com domicílio no Sergipe, por exemplo, nunca havia sido cliente do Banestado e mesmo assim adquiriu um limite de crédito de R$ 4 milhões, após parecer técnico e aprovação do Comitê de Crédito da Banestado Leasing. Depois, esse limite de crédito foi ampliado para R$ 5,5 milhões. Dos contratos firmados e renegociados, nada foi pago.
Para a empresa Rápido Laser houve apenas um contrato no valor R$ 3,5 milhões, tendo como devedor funcionário de Amorim. O contrato não foi honrado e por três vezes foi renegociado, sem que nenhuma parcela tenha sido paga. Já a Habitacional Construções assinou dois contratos, também descumpridos. A Folha não conseguiu contato com Amorim, nem com Santos Filho, nem com Lerner.

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