O juiz da 2 Vara Criminal de Maringá, Devanir Manchini, condenou 14 pessoas por um esquema de fraudes na concessão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) que funcionou na 13 Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) em 2003 e 2004. A decisão, publicada na última sexta-feira, atende ação penal proposta pelo Ministério Público (MP) do Paraná em março de 2005. De acordo com a denúncia, parte do grupo era responsável pela venda de CNHs por valores entre R$ 50 e R$ 150. As condenações se referem aos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e concussão (exigência de vantagem indevida por funcionário público). Na sentença, o juiz sustentou que ''ao aprovarem pessoas inaptas, os réus acabaram tornando mais caótica a situação do trânsito maringaense''.
O esquema seria comandado pelo ex-chefe da Ciretran Dionisio Rodrigues Martins - atualmente assessor parlamentar na Câmara de Maringá. Martins é afilhado político do vereador John Alves Correa (PMDB).
Conforme o relato dos promotores Laércio Januário de Almeida e José Lafaieti Barbosa Tourinho, o ex-chefe da Ciretran, em conluio com examinadores, formaram uma quadrilha para a prática de crimes de concussão. O grupo cobrava dinheiro dos Centros de Formação de Condutores (CFCs) de Maringá para fornecimento de carteiras de habilitação. Em alguns casos, foi apontada a cobrança diretamente dos candidatos. As irregularidades foram tornadas públicas no início de 2004 e Martins foi exonerado do cargo em agosto daquele ano.
Durante a investigação, o MP também apurou a prática do crime de falsidade ideológica - que teria sido praticada pelo diretor de Operações do Detran do Paraná, José Miguel Grillo, e pelos irmãos Rafael Martinez Massa e Gabriel Ribeiro Massa, ambos filhos do apresentador de TV Carlos Massa. Segundo a denúncia, Grillo teria auxiliado os irmãos na retirada de carteira de habilitação para uso de motocicletas com apresentação de documentos irregulares. Os dois irmãos moravam em Curitiba e teriam apresentado comprovantes de residência em Maringá.
A FOLHA tentou contato ontem com Martins e com os irmãos Massa, mas eles não retornaram as ligações. Grillo negou irregularidades e disse que vai recorrer da condenação. ''Eu entrei como coautor porque usaram meu nome sem o meu conhecimento. Mas vou recorrer ao Tribunal de Justiça e reformar essa sentença'', afirmou. ''Isso foi um fato isolado dentro do processo e não tem nada a ver com corrupção.''

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