Justiça concede novo habeas corpus e Gaeco pede 3 prisão preventiva
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quinta-feira, 06 de maio de 2010
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A prisão preventiva do ex-diretor da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Abib Miguel, ganhou um novo capítulo ontem. A juíza Lílian Romero concedeu um novo habeas corpus a Bibinho, como é conhecido, às 13 horas, o que causou a expectativa da sua liberação durante toda a tarde e início da noite. Por volta das 19 horas, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público estadual (MP-PR), entrou com um novo pedido de prisão preventiva. Abib Miguel permanecia preso no Quartel da Polícia Militar, em Curitiba, até o fechamento desta edição.
No despacho da magistrada, ela argumenta que a juíza de plantão que decretou a segunda prisão preventiva do ex-diretor, Manuela Talão, não teria competência para tal, uma vez que, no entendimento de Lílian, o julgamento caberia apenas à 9 Vara Criminal de Curitiba, onde foi apresentada a denúncia contra o acusado. Segundo o advogado de Abib, Alessandro Silvério, havia pressa em liberar Abib, mas a soltura estava condicionada a apresentação de alguns documentos perante à Justiça. O relaxamento de prisão também foi extendido aos outros dois ex-diretores da AL, Cláudio Marques da Silva e José Ary Nassiff, além do funcionário João Leal de Matos, todos presos durante a Operação Ectoplasma I, em 24 de abril.
No novo pedido de prisão preventiva, Leonir Battisti, coordenador geral do Gaeco alega que foram acrescentados os dois novos argumentos que não foram considerados pela magistrada: as supostas ameaças de Bibinho aos investigadores, ouvida por um policial durante a prisão dele, e à presidente do Sindicato dos Servidores Civis da Assembleia Legislativa, Diva Scaramella.
A Justiça Estadual recebeu e acatou, ontem, a denúncia apresentada pelos promotores do Gaeco na segunda-feira contra os três ex-diretores da AL e outras seis pessoas, entre elas João Leal de Matos. O MP-PR acusou Abib e Matos de terem cometido 1182 crimes de peculato e, junto com Silva e Nassiff, falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Apenas na investigação que concentrou o núcleo familiar de Matos (os outros denunciados também são membros de sua família) os desvios de dinheiro público chegam a R$ 13 milhões - em valores não atualizados.
De acordo com Battisti, a denúncia foi recebida pela juíza da 9º Vara Criminal de Curitiba, Angela Regina de Lucca, dentro do prazo natural, uma vez que se tratava de réus presos. Caso sejam condenados, a pena pode variar de 42 anos e dez meses a 297 anos e seis meses de prisão. O Gaeco informou que segue investigando denúncias de desvio de dinheiro público envolvendo outros núcleos.


