Imagem ilustrativa da imagem Justiça concede habeas corpus para Rony Alves
| Foto: Marcos Zanutto



O juiz Kennedy Josué Greca de Mattos deferiu o pedido de habeas corpus impetrado pelos advogados Maurício Carneiro e Bruno Bonette em favor do vereador afastado Rony Alves (PTB) nesta sexta-feira (4). Alves está preso desde o último dia 22, por suspeita de ameaça a uma testemunha da Operação ZR3 (Zona Residencial 3), deflagrada há quase um ano pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Segundo o despacho assinado por Mattos, para que algo seja tipificado como crime, "é necessário usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral, o que na hipótese em análise não restou configurado".

Para um dos advogados de defesa de Rony Alves, Maurício Carneiro, o habeas corpus foi muito bom. "O juiz descaracterizou tudo o que o Ministério Público disse anteriormente. Ele acredita que não houve ameaça e que não vê crime no que aconteceu."

Ainda segundo o despacho, a suposta ameaça teria sido registrada em 7 de dezembro de 2018, mas o pedido de prisão preventiva foi formulado somente no dia 21. De acordo com o juiz, esses dias entre o registro da suposta ameaça e o pedido de prisão "afasta o argumento acerca da urgência da medida para fazer cessar a conduta, em tese, intimidatória do paciente".

Alves prestaria depoimento na sede do Gaeco na tarde desta sexta-feira (4), mas como o habeas corpus foi deferido antes do horário do depoimento, ele não será mais ouvido no local.

Rony Alves deixou a PEL I (Penitenciária Estadual de Londrina) no fim da tarde desta sexta-feira (4) acompanhado por seu advogado. Assista:



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Prisão

Rony Alves foi preso no último dia 22 em sua residência e encaminhado ao CIAC (Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão). O pedido da prisão preventiva feito pelo Gaeco e a decisão da Justiça foram protocolados em 21 de dezembro.

Na ocasião, a reportagem conversou com o coordenador do Gaeco, Jorge Barreto. Ele afirmou que a testemunha ameaçada por Rony se tratava do produtor rural Junior Zampar, que denunciou e colaborou com as investigações da Operação ZR3 ao gravar conversas, registrar encontros com agentes públicos e outros investigados que se tornaram réus.

Conforme Barreto, Zampar foi abordado por Rony quando saía de uma agência e se deslocava para o estacionamento. A testemunha procurou primeiramente o delegado Alan Flore do Gaeco, que encaminhou para o coordenador.

"Houve um descumprimento às cautelares e cometimento de um novo delito. O Rony teria abordado a testemunha na saída de um banco e teria se expressado de forma ameaçadora. Após a testemunha procurar o Alan Flore nós juntamos novas diligências, imagens das câmeras de segurança da agência e também procuramos o Creslon [Centro de Reintegração Social de Londrina] para analisarmos a localização de Rony naquele dia. Tudo bateu e nós pedimos a prisão preventiva", declarou.

No fim da tarde de 22 de dezembro, Carneiro afirmou que "tem absoluta certeza de que não houve qualquer tipo de ameaça por parte dele [Rony Alves]". O advogado defendeu ainda que o vereador afastado tem conta no banco onde encontrou o produtor rural, "porém, em momento algum, o ameaçou. Inclusive, a abordagem foi feita inicialmente pelo próprio Zampar", que tocou o vereador afastado no ombro, "dentro da agência, para lhe pedir desculpas".

Procurado pela FOLHA na manhã de 23 de dezembro, o agricultor Junior Zampar confirmou que houve abordagem do vereador afastado Rony Alves em frente a agência bancária na Avenida Santos Dumont (zona leste) no início de dezembro e classificou de "absurda" a versão apresentada pela defesa dele. Zampar disse que a abordagem em tom de ameaça foi feita perto da rampa de acesso ao banco e que não houve encontro entre os dois dentro da agência, "muito menos pedidos de desculpas".

(Atualizada às 18h45)

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