Preso preventivamente desde o dia 22 de dezembro, o vereador afastado Rony Alves (PTB) deixou a unidade I da Penitenciária Estadual de Londrina no final da tarde desta sexta-feira (4). A liberdade veio cerca de duas horas depois que o juiz Kennedy Josué Greca de Mattos deferiu o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa.

Alves havia sido preso por supostamente ter ameaçado a principal testemunha da Operação ZR3 (Zona Residencial 3), o agricultor Júnior Zampar, em uma agência bancária na avenida Santos Dummont, no dia 7 de dezembro.

Segundo o despacho assinado por Mattos, para que algo seja tipificado como crime "é necessário usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo", o que não se configurou, de acordo com o magistrado.

Para a defesa o habeas corpus veio no sentido de comprovar que não houve ameaças. O Ministério Público embasou o pedido de prisão em imagens de câmeras de segurança que mostram o vereador conversando com a testemunha e até a seguindo pelo estacionamento, mas em momento algum registram agressão física.

"Foi uma criação fática para gerar uma prisão, tanto é que o tribunal falou que a prisão é ilegal e que não existe o tipo penal imputado a ele, ele não ameaçou", afirmou Maurício Carneiro.

Mais cedo, às 14 horas, o vereador afastado era aguardado na sede do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) pelo promotor Leandro Antunes, entretanto a defesa de Rony Alves havia pedido para que o interrogatório fosse remarcado para as 16 horas.

"Momentos antes do interrogatório o advogado do senhor Rony Alves compareceu ao Gaeco e propôs uma petição dizendo que o investigado iria permanecer em silêncio e solicitou, então, que ele não comparecesse", afirmou Antunes.

Em seguida o HC foi encaminhado para os jornalistas. Ainda segundo o despacho, a suposta ameaça teria sido registrada em sete de dezembro, mas o pedido de prisão preventiva foi formulado somente no dia 21. De acordo com o juiz, o transcorrer deste período "afasta o argumento acerca da urgência da medida", diz o documento.

RETORNO À CÂMARA
O prazo de afastamento de Rony Alves e Mario Takahashi (PV) de suas atividades parlamentares na Câmara Municipal, determinado pela Justiça, termina no próximo 24. Takahashi também é réu na ZR3. Questionado se a recente prisão de Alves poderia colaborar para um novo afastamento por 180 dias, o advogado dele disse não acreditar na hipótese.

"Eu acredito que qualquer pedido que possa existir o juiz titular vai enfrentar com base nesta decisão de que ele (Rony Alves) não cometeu nenhum ato ilegal, ele foi preso ilegalmente", afirmou Carneiro.

Já o promotor Leandro Antunes disse que a possível renovação vai ser alvo de análise por parte do MP nos próximos dias. "A prorrogação ou não deste afastamento eu vou deixar para analisar e tomar a decisão mais próximo da data", afirmou.

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