Justiça começa analisar caso Leasing
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sábado, 05 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública, Salvatore Astuti, começa a julgar amanhã, em Curitiba, o pedido de prisão feito numa ação conjunta pelos ministérios públicos Federal (MPF) e estadual (MPE) contra nove pessoas envolvidas numa série de irregularidades cometidas na Banestado Leasing, entre 1995 a 1997. O escândalo, detonado em 1996 pelo então presidente do Banestado Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia, provocou, segundo os promotores do caso, um rombo de R$ 344 milhões aos cofres do Banestado.
Astuti analisa ainda o teor completo das ações cível e penal que envolvem seis ex-funcionários da Leasing e o ex-governador de Sergipe, João Alves Filho, mais seu genro, José Edivan do Amorim. Os dois são os responsáveis, de acordo com as investigações, por três empresas sergipanas Habitacional Construções S/A, Amorim Sergipe Transportes Ltda e Rápido Laser Ltda que, sozinhas provocaram um prejuízo de R$ 28.886.457,00 a Leasing, vinculada ao conglomerado Banestado. A operação teria contado com a anuência do então diretor da Leasing Oswaldo Magalhães dos Santos, filho do deputado federal Joaquim dos Santos Filho.
No total, a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público e a Procuradoria da República já comprovaram que 33 empresas deram um calote de R$ 226 milhões na Leasing durante a gestão de Magalhões dos Santos. O rombo é maior, nos cálculos dos promotores, porque houve a injeção de R$ 344 milhões para quitar dívidas da Banestado Leasing com o próprio banco. O dinheiro veio do Banco Central e faz parte de uma das parcelas liberadas para o saneamento da instituição em vias de privatização.
Arlei Mário Pinto de Lara (ex-diretor), Cláudio Ferreira Moreira (ex-assessor de Oswaldo Magalhães), Luiz Antônio Eugênio de Lima (ex-gerente de Operações), José Edson Carneiro de Souza (ex-gerente), Ademar Toshihiro Tanaka e Nacim Jorge André Neto são os ex-funcionários da Leasing que estão na mira da Justiça. Oswaldo Magalhães não integra a relação dos que estão sob análise porque morreu num acidente de carro, em setembro 98.
A morte entretanto não exime o seu espólio de ressarcir os cofres públicos, caso a apuração do MP vire objeto de sentença judicial. Procurada pela Folha ontem, a viúva de Oswaldo Magalhães, Louise Luvizzotto, preferiu não comentar sobre o pedido de prisão. Ela disse que somente o advogado da família, Cláudio Colaço, poderia prestar informações, mas ele não foi encontrado ontem pela manhã. A assessoria de imprensa do deputado federal informou que ele está em Miami e não pode ser encontrado.


