Justiça começa a ouvir testemunhas de defesa dos réus da ZR3
Vinte e quatro pessoas prestaram depoimento durante mais de quatro horas de audiência nesta terça (19); próxima audiência foi marcada para 29 de maio
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terça-feira, 19 de março de 2019
Vinte e quatro pessoas prestaram depoimento durante mais de quatro horas de audiência nesta terça (19); próxima audiência foi marcada para 29 de maio
Vitor Struck 

O juiz Délcio Miranda da Rocha, da 2ª Vara Criminal de Londrina, começou a ouvir as testemunhas arroladas pelas defesas dos réus da Justiça no âmbito da Operação ZR3 (Zona Residencial 3), que investigou a formação de uma suposta organização criminosa que visava obter vantagens ilícitas com a aprovação de projetos de mudança de zoneamento urbano. Dentre os denunciados pelo Ministério Público estão os vereadores Mário Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB). Um servidor da Secretaria Municipal de Obras, ex-membros do CMC (Conselho Municipal da Cidade) e empresários também figuram entre os denunciados.
Das 83 testemunhas de defesa, quase 40 foram dispensadas pelos advogados, quatro faltaram e outras cinco foram intimadas por cartas precatórias, uma vez que residem em cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, Ibiporã e no Espírito Santo. Desta forma, 24 pessoas foram ouvidas ao longo de mais de quatro horas de audiência.
Dentre os vereadores afastados, apenas Rony Alves esteve presente, mas não pode acompanhar os depoimentos devido ao pouco espaço da sala de audiências.
De acordo com o promotor Jorge Barreto da Costa, coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) em Londrina, as testemunhas “pouco ou nada contribuíram” com relação aos fatos criminosos apresentados na Ação Penal.
“Sobre os fatos nada disseram ou afirmaram desconhecer. Se limitaram a emitir opiniões dos mais diversos assuntos referentes, obviamente, aos réus que as arrolaram como testemunhas, mas efetivamente sobre os fatos nada falaram”, afirma.
Um dos depoimentos mais demorados da tarde foi o do ex-presidente do CMC (Conselho Municipal da Cidade), Rodrigo Zacaria. “A dúvida era sobre como era o funcionamento do Conselho, a distribuição dos processos, a escolha dos relatores, qual era a atribuição do presidente, do vice, coisas do funcionamento normal do Conselho Municipal da Cidade”, explica.
Um dos advogados ouvidos pela reportagem e que não quis se identificar afirmou que a defesa está conseguindo demonstrar ao juízo que as condutas apresentadas pelo Ministério Público sobre o seu cliente são incompatíveis com a realidade. Já a defesa do servidor Ossamu Kaminagakura, acusado de exigir propina em troca de facilidades no andamento de processos de alteração de zoneamento urbano quando ocupava a diretoria de loteamentos, também seguiu a mesma linha.
“O processo nunca se resolve numa etapa só. Acho que as testemunhas só ajudaram a esclarecer ao juiz o que de fato acontecia e o processo serve para isso, para que aquela versão inicial do Ministério Público seja testada e aferida, para se apurar se ela é verdadeira ou não, e na opinião da defesa ela não é. Nós, respeitosamente, estamos tentando mostrar o contrário”, avalia o advogado Gabriel Bertin.
O que, obviamente, não é a opinião do promotor do Gaeco. “Aquilo que foi produzido com o desencadeamento da Operação ZR3, com o oferecimento da denúncia, inquirição das testemunhas arroladas pelo MP e agora defesa, aquilo que foi colocado na denúncia, no entendimento do MP, tem sido confirmado pelas provas produzidas durante a instrução”, avalia.
Também foram ouvidos o ex-presidente da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina), José Roberto Hoffman; o ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) e da Codel (Agência de Desenvolvimento de Londrina), Nado Ribeirete; e o secretário municipal de Planejamento, Marcelo Canhada.
A próxima audiência foi agendada para o dia 29 de maio, quando as testemunhas que faltaram poderão ser ouvidas e, em seguida, é a vez dos 13 réus prestarem depoimento. Enquanto isso os vereadores seguem afastados do Poder Legislativo, pelo menos, até setembro deste ano.


