Diretores das escolas estaduais Barão do Cerro Azul, Barbosa Ferraz e Bento Mussurunga, de Ivaiporã (110 km ao Sul de Apucarana), foram detidos na tarde de quinta-feira pela Justiça Eleitoral por propaganda irregular dentro das unidades em favor do candidato à reeleição, Roberto Requião (PMDB). A denúncia foi apresentada pelo professor da Cerro Azul, Adriano Marcos Diglio, que se deparou com a propaganda ilegal ao chegar à escola após o horário de almoço.
''Havia vários panfletos de propaganda na sala dos professores e na secretaria. Além de propaganda para Requião, havia panfletos de crítica ao outro candidato'', contou. ''Fui para o Fórum, fiz a denúncia por escrito e em pouco tempo chegaram o promotor, dois juízes e oficiais de justiça''.
O promotor eleitoral, Cléverson Tozzate, disse que o caso exigia providências urgentes e o mandado de busca foi expedido quase de imediato. ''Fomos até lá e detectamos a situação de forma evidente. Apenas na escola Barbosa Ferraz não foi encontrado material, mas um funcionário nos disse que já tinha sido entregue'', afirmou. ''Como se trata de crime, foram tomadas as providências de praxe. Os diretores das unidades foram encaminhados à delegacia para lavratura de termo circunstanciado e liberados no final da tarde.''
De acordo com o promotor, os envolvidos afirmaram que o pedido de distribuição da propaganda - ''santinhos, panfletos e adesivos'' - partiu da chefia do Núcleo Regional de Ensino, cuja titular, Onélia Pessuti, é irmã do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), que disputa a reeleição na chapa de Requião. ''A professora Onélia não foi localizada durante a diligência e será intimada para comparecer na delegacia'', explicou o promotor. Cléverson Tozzate disse que, em caso de condenação, os responsáveis estarão sujeitos a pena de seis meses de prisão e pagamento de multa.
A professora Onélia Pessuti também não foi localizada pela Folha na sexta-feira. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação afirmou que os juízes eleitorais - Marcos Antônio de Lima e Wendel Brunieri - estiveram no Núcleo e não encontraram material de propaganda. ''A informação que temos é que o material era de uso particular de algum professor e não estava sendo distribuído nas escolas.'' A assessoria não soube informar se será aberta sindicância interna sobre o caso.

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