Justiça cita herdeiros de Ulysses
Agência Estado
De Porto Alegre
A Justiça Federal reabriu ontem processo no qual o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP) morto em acidente de helicóptero em 1992 figura como réu, por ter mandado cunhar, com dinheiro público, 1,4 mil medalhas de ouro, prata e bronze. As medalhas eram comemorativas à entrada em vigor da atual Constituição Federal. A reabertura foi decidida pela 4ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF/4ª Região). Agora, o processo correrá contra os herdeiros do deputado.
Tudo começou com uma ação popular movida, em 1988, pelo advogado gaúcho Antonio Beiriz. Ele requeria a nulidade do ato administrativo da mesa diretora da Assembléia Nacional Constituinte que mandou imprimir e distribuir as condecorações, a serem entregues a deputados, senadores e ministros.
No ano seguinte, a juíza federal Luiza Cassales determinou que as insígnias fossem colocadas à venda no mercado e condenou Ulysses, na ocasião presidente da Câmara, a ressarcir os cofres públicos pelas medalhas que não fossem negociadas. Ulysses recorreu da decisão. Sua morte ocorrida em um acidente de helicóptero no feriado de 12 de outubro de 1992, quando retornava de Angra dos Reis (RJ) com sua esposa, Ida de Almeida Guimarães (Dona Mora) e outros contratempos fizeram com que a 4ª Turma do TRF julgasse o processo extinto em 29 de junho deste ano, sem que fosse examinado o mérito. Diante disso, Beiriz interpôs embargos de declaração contra a solução do tribunal.
O relator da ação, juiz Edgard Lippmann, entendeu que, com a extinção do processo, o ato anulado pela Justiça Federal, por imoral e abusivo, seria tornado válido e as medalhas entregues. Assim, deu razão ao advogado e foi acompanhado pela maioria dos juízes.





