Justiça cede escutas telefônicas para CPMI
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sexta-feira, 28 de maio de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Justiça Federal do Paraná colocou ontem à disposição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a remessa ilegal de divisas para o Exterior, através das chamadas contas CC-5, dezenas de fitas de escutas telefônicas que estão anexadas nos processos criminais instaurados pelo Ministério Público (MP) federal. As fitas contêm gravações que comprometem não apenas os funcionários das agências bancárias que operavam com as contas CC-5, como também os diretores dos bancos.
''Acho que ficou claro que os diretores de bancos que operavam com câmbio em Foz do Iguaçu tinham participação na remessa ilegal de recursos e abertura de contas de laranjas. Os documentos e as fitas que recebemos são fundamentais e irão comprovar isso no decorrer das investigações da CPMI'', afirmou ontem o deputado federal José Mentor (PT-SP), relator da CPMI. Nos próximos dias todas as fitas serão degravadas e as conversas serão transcritas. ''Ainda não sabemos o que têm em todas as fitas. Mas a gente está fechando o cerco e complementando as informações que estamos buscando'', relatou.
As fitas foram gravadas pela Polícia Federal (PF) e pelas auditorias realizadas principalmente no Banco Araucária, beneficiado pelo Banco Central (BC) em abril de 1996 com operações de câmbio em Foz do Iguaçu mesmo depois de ter sido recomendada a suspensão das operações bancárias do Araucária por repetidas irregularidades nas transações de câmbio. A recomendação foi feita em dezembro de 1996 (quatro meses antes do benefício) pela então analista de processos administrativos do próprio Banco Central, Célia Marly Fávaro. As análises demonstraram irregularidades no envio de US$ 2 bilhões para o Exterior no ano de 1994.
''Fica uma perplexidade. Por que o Araucária, que tinha sede em Curitiba e não operava em Foz do Iguaçu, teve esse tipo de benefício?'', questionou ontem a deputada federal Clair da Flora Martins (PT-PR), que presidiu os trabalhos em Curitiba. Os ex-diretores do Banco Araucária se negaram a comentar o assunto. O ex-presidente Alberto Dalcanale Neto não respondeu nenhuma questão formulada pelos parlamentares, amparado num habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ex-diretora adjunta do Araucária Ruth Whately Bandeira de Almeida aceitou falar com os parlamentares em sessão secreta. Os deputados não revelaram o teor do depoimento dela.
Mentor disse ontem que a CPMI poderá voltar ao Paraná. ''Se surgirem novidades nas fitas ou coisas para serem esclarecidas, voltaremos ao Estado'', analisou o relator. A CPMI do Banestado já esteve quatro vezes ouvindo testemunhas e supostos envolvidos na remessa ilegal de dólares para paraísos fiscais no Estado. Apesar da CPMI ter sido prorrogada por mais 180 dias, Mentor prometeu entregar um relatório parcial das atividades da CPMI ao Congresso Nacional no final do mês que vem.


