A Justiça Eleitoral de São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio) cassou os registros de candidatura do prefeito eleito da cidade, Carlos Sutil (PPS), e do vice-prefeito, João Luiz Perusso (PMDB), por crime eleitoral. A decisão, assinada pela juíza eleitoral Manoela Tallão, está datada do dia 15, mas foi publicada somente ontem em edital. Sutil também foi multado em mil Ufirs.
A juíza determinou ainda a diplomação do segundo colocado nas eleições, Adir Leite (PP) e do vice, Alan Proença (PSDB). A diplomação será realizada hoje.
A denúncia de crime eleitoral foi protocolada pela coligação de Leite. Conforme a denúncia, Sutil conhecido como Carmo e outros dois homens teriam abordado eleitores da Vila Rural Pedro Fonseca, oferecendo o preparo da terra com um trator para plantio em troca do voto. Foram anexadas fotos do trator nas propriedades. Na defesa apresentada por Sutil no processo, ele negou as acusações.
Para instruir o processo, a juíza ouviu dez testemunhas. ''Analisando os depoimentos colhidos durante a instrução, advindos de testemunhas devidamente compromissadas, pelo que merecem crédito, é possível concluir que efetivamente existiu a captação de sufrágio na região da Vila Rural, consistente na troca de votos pelo arado e preparo da terra'', diz parte do despacho. Segundo o testemunho de vários agricultores, o custo do aluguel do trator é de R$ 35 a R$ 40 a hora. ''Cabe esclarecer que na hipótese em comento está afastada a realização de novas eleições, sendo realmente caso de diplomar o candidato Adir e seu vice, que ficaram em segundo lugar na disputa eleitoral'', complementou a juíza.
De acordo com Proença, os votos que teriam sido obtidos mediante a oferta de Sutil, seriam a diferença entre os candidatos nas urnas. ''Perdemos por uma diferença de 55 votos. Tivemos 2.888 votos contra 2.943. Eles tiraram essa diferença nessa Vila Rural, que tem cerca de 60 famílias que moram lá'', afirmou. ''A compra de votos é uma coisa séria. Nós já entramos acreditando na Justiça e foi o que conseguimos. Essa decisão, tenho certeza que foi um grande avanço no processo eleitoral em São Jerônimo da Serra'', completou Proença.
Sutil e Perusso têm cinco dias para recorrer da decisão junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A reportagem tentou entrar em contato com Sutil, mas ele não foi localizado.

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