Justiça bloqueia repasse de FPM a 22 municípios do Estado
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quinta-feira, 12 de julho de 2001
Dimitri do ValleDe Curitiba 
Parte dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de 22 prefeituras do Estado foi cancelado. O repasse é feito pela União. Cerca de 15% da cota que cada uma teria direito a receber no dia 20 deste mês estão bloqueadas pela Justiça. Segundo a presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Adriana Paes Cruz, nenhuma dessas prefeituras apresentou condições para pagar precatórios com data vencida. Os prefeitos vão responder a processo nas justiças estadual e federal.
As prefeituras que não prestaram contas devem R$ 500 mil em ações judiciais ganhas por servidores. O número de municípios e o valor são considerados pequenos diante das 258 cidades que atenderam o chamado do TRT para enviar suas propostas em dois meses de campanha encerrada na terça-feira. Nos próximos dois anos, o tribunal quer liquidar a dívida de R$ 30 milhões oriunda de 3,3 mil processos contra as administrações municipais desde 1997. Cerca de 500 processos já tiveram solução, 100 só em Apucarana.
A relação de municípios em pendência com o TRT (veja quadro) ainda pode ser alterada. Mesmo enquadrados em penalidades jurídicas e políticas, os prefeitos podem procurar os credores para tentar uma negociação. O acordo pode ser feito a qualquer tempo do processo, afirmou a presidente do TRT. Adriana disse que as prefeituras que entregaram as propostas não devem comemorar.
Todas as ofertas vão ser apreciadas pelos ganhadores dos precatórios. Só depois, o tribunal vai julgar se as condições ferem ou não os direitos dos servidores. De acordo com a juíza Adriana, os municípios são os réus mais frequentes da Justiça do Trabalho. Com o aparecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ela estima que este quadro pode ser alterado.
A lei indica ao administrador um caminho de organização financeira do município, disse Adriana. Segundo ela, a convocação aos municípios realizada em maio veio na esteira da aplicação da LRF. O chamamento foi altamente positivo. Mais de 90% dos municípios demonstraram interesse. A idéia de criar um prazo para que os municípios possam negociar é inédita na esfera dos TRTs do País.
Adriana reconheceu que o retorno dado pelos municípios só foi possível por causa das ameaças. Além do bloqueio do FPM, os prefeitos dos municípios em débito com o TRT serão denunciados por crime de improbidade administrativa ao Ministério Público Estadual; vão responder por crime de responsabilidade no Ministério Público Federal e na Polícia Federal; enfrentarão pedido de intervenção estadual no município e processo de impeachment na Câmara de Vereadores; inscrição da cidade no Cadastro de Devedores da União (Cadin), que impede a obtenção de recursos federais, e sanções do Tribunal de Contas, que aplicará as penas previstas na LRF.


