Justiça bloqueia bens e contas de ex-prefeitos
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terça-feira, 30 de dezembro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
As contas bancárias dos ex-prefeitos de Santa Mariana José Polônio (PDT) e Arati Cafiero de Toledo (PMDB) estão bloqueadas e seus bens declarados indisponíveis pela Justiça. O juiz Aldemar Sternadt concedeu uma liminar no último dia 18 em decorrência da ação civil pública proposta pelo município contra os dois ex-prefeitos. O município foi obrigado a ressarcir a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) em R$ 92 mil - recursos repassados nas duas últimas gestões para a construção de 295 casas populares. De acordo com a prefeitura, a verba, que corresponde a 10% do valor total da obra, não foi aplicada nas moradias.
No despacho, o juiz alega que dúvida não há que o pedido de indisponibilidade de bens guarda proporcionalidade com a natureza da causa, uma vez que tem por escopo assegurar a efetividade do processo. A indisponibilidade de bens foi deferida pelo Ministério Público antes da manifestação da Justiça.
Polônio foi prefeito de 1989 a 1992 e Toledo, de 1993 a 1996. Neste período vigorou um convênio entre Cohapar e prefeitura para a construção das casas. Passaram-se duas gestões sem a conclusão do conjunto e não se sabe o destino dos recursos, diz o assessor jurídico da prefeitura Alício Dias de Oliveira. Ele alega que o município se viu obrigado a pedir a apuração do caso depois que a Cohapar condicionou a liberação de novos recursos para a continuidade da obra à devolução dos R$ 92 mil. De acordo com Oliveira, o dinheiro já foi repassado à Cohapar.
Mas não podemos permitir um prejuízo desses aos cofres públicos. Eles (os ex-prefeitos) administraram o município e devem prestar contas. Se não forem eles os culpados pelo prejuízo, temos que ir atrás de quem desviou porque esse dinheiro precisa retornar à administração para finalização da obra, afirma o prefeito Antônio Carlos Bassi (PTB).
Polônio e Cafiero dizem que a briga é política. Ele (o atual prefeito) quer me desmoralizar e desgastar a minha imagem, mas tenho um nome a zelar e vou provar que não tem nada disso e não houve qualquer desvio. A população de Santa Mariana me conhece, diz Polônio. Ele contratou a advogada Maria Helena Kuss, de Curitiba, para cassar a liminar que bloqueou suas contas e tornou seus bens indisponíveis. A advogada recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado e acredita que ainda hoje conseguirá resultado.
Ele e Cafiero dizem que o dinheiro da Cohapar chegou, mas as parcelas sempre eram repassadas com atraso e a verba foi corroída pela inflação. Cafiero afirma que todas as contas dele e de Polônio foram aprovadas pelo Tribunal de Contas. O que demonstra politicagem, emenda.
Polônio reclama de só ter sido chamado pela Justiça para prestar esclarecimentos um dia depois de seus bens terem sido bloqueados. Isso me transtornou a vida. Além do mais, meus cheques voltaram por causa do bloqueio das contas e precisei emprestar dinheiro de amigos para pagar o décimo terceiro de meu pessoal, reclama ele, que é dono de 17 propriedades rurais. Nas eleições do ano passado, ele foi derrotado nas urnas por Bassi e acredita que o prefeito quer desgastá-lo politicamente. Sou candidato em potencial para a próxima eleição e ele está tentando suspender meus direitos políticos com essa ação, aposta.


