Justiça bloqueia bens de prefeito de Laranjeiras do Sul
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quarta-feira, 30 de agosto de 2006
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba O prefeito Jonatas Felisberto da Silva (sem partido), de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava), teve os bens bloqueados pela Justiça. A decisão do juiz César Maranhão de Loyola Furtado, da Vara Cível daquele município, atende liminar requerida em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP). Felisberto da Silva é acusado de improbidade administrativa e participação em um esquema de compra irregular de combustível para o município. Além da indisponibilidade de bens, também foi decretada a quebra de sigilo bancário do prefeito e de outras quatro pessoas. O MP estima que o caso resultou em um rombo de cerca de R$ 750 mil aos cofres públicos.
Segundo o promotor de justiça Rodrigo Leite Ferreira Cabral, as investigações partiram de uma denúncia e contou com a colaboração da Receita Estadual. Além de Felisberto da Silva, são citados pela promotoria um secretário municipal, dois servidores da prefeitura e o dono de um posto de combustível.
Entre as irregularidades está a contratação sem licitação de um posto de combustível para a compra de álcool; compra de uma quantidade exagerada do produto e abastecimento de veículos particulares com dinheiro público. Na ação, o MP apurou que entre fevereiro do ano passado e março deste ano o município teria comprado 459.638,55 litros de álcool, valor que possibilitaria, segundo a promotoria, o abastecimento completo de toda a frota de máquinas da cidade por 153 vezes. ''A quantidade de combustível adquirida é tão absurda que possibilitaria que um veículo da frota desse quarenta e três voltas e meia ao redor do globo terrestre'', diz Rodrigo Cabral. Na ação, o MP pede a devolução do dinheiro. Se for considerado culpado, Felisberto da Silva pode perder o cargo e ter suspensos por oito anos os direitos políticos.
Felisberto da Silva disse que é inocente e que assim que for citado na ação judicial vai se defender das acusações. Ele afirmou que seu ''patrimônio é político e não financeiro'' e que não possui bens. Mora de aluguel e tem um carro financiado. ''Não há nenhum sinal de enriquecimento ilícito'', explicou.
O prefeito disse que diminuiu a quantidade de combustível comprada pelo município em relação à administração anterior, conseguindo economizar 84 mil litros no primeiro ano. Felisberto da Silva diz que a frota de veículos da prefeitura consumiu, em 2005, um total de 460 mil litros.


