A Justiça Federal de Belém (PA) decretou ontem a indisponibilidade de todos os bens e a quebra dos sigilos fiscal e bancário do empresário Geraldo Pinto da Silva, o ''GPS''. Ele é dono da empresa Geraldo Pinto da Silva & Cia., escritório de lobby na capital paraense que atuava na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e é acusado de participação no desvio de R$ 582,7 milhões, em valores corrigidos.

A decisão liminar do juiz da 1 Vara Federal de Belém, Gláucio Ferreira Maciel Gonçalves, atingiu também a mulher de GPS, Edy Lamar, e seu sócio, Helder Alves Rodrigues. A Procuradoria da União em Belém e a Advocacia Geral da União (AGU) estimam que foram sequestrados R$ 25 milhões.

Entre os bens estão quatro fazendas, apartamentos, contas bancárias, carros, e®FR¯ milhares de ações de empresas que contrataram GPS para gerir os negócios na Sudam. Os bens estão espalhados por Minas Gerais, Pará, Maranhão, Amapá e Mato Grosso. ''A indisponibilidade dos bens é o único caminho para a União conseguir reaver os bens desviados'', afirmou o secretário especial do Ministério da Integração Nacional, José Diogo Cyrillo da Silva.

A ação cautelar de indisponibilidade de bens, elaborada pela força tarefa da AGU, revela uma novidade no escândalo envolvendo desvios de dinheiro público na Sudam: GPS acabava sócio das empresas que o contratavam.

Os responsáveis pela força-tarefa da AGU, criada para assessorar a secretaria especial que substitui a Sudam, querem provar que muitas das empresas que conseguiram recursos por meio do escritório de GPS, na verdade, tinham como sócios ''testas-de-ferro'' do próprio empresário.

Ao analisar, em junho, documentos apreendidos em abril na empresa e na casa do empresário, a PF encontrou documentos que supostamente ligam GPS ao senador Jader Barbalho (PMDB). Em poder de GPS estavam duas procurações do ranário da mulher de Jader, Marcia Zahluth Centeno, investigado pelo desvio de 43% dos R$ 9,6 milhões destinados pela Sudam ao empreendimento.

Os documentos reforçaram a tese da PF de que o escritório de GPS trabalhava em conjunto com o de Maria Auxiliadora Barra Martins, o AME Ltda. Os dois escritórios são apontados como os centralizadores das fraudes na Sudam. Maria Auxiliadora já teve seus bens bloqueados.

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