Justiça bloqueia bens de ex-prefeito de Foz
O ex-prefeito de Foz do Iguaçu Harry Daijó (PPB), dez ex-secretários municipais e um diretor da administração passada tiveram o sigilo de suas contas bancárias quebrado, além da indisponibilidade de bens. A decisão do juiz substituto da 3ª Vara Cível, Lourenço Cristóvão Chemim, atende à denúncia feita pelo Ministério Público Estadual, envolvendo um rombo de R$ 8,16 milhões aos cofres públicos, resultante de contratações irregulares.
O juiz também determinou a quebra do sigilo fiscal de janeiro de 1996 a maio de 2001. Na prática, esta medida deve acontecer após a Justiça notificar o Banco Central, Banco do Brasil e a Receita Federal, como consta do despacho emitido anteontem. Chemin pede ainda cópias das declarações de renda dos últimos cinco anos dos acusados.
Para o promotor Luiz Franscisco Barletta Marchioratto, autor da denúncia protocolada no dia último dia 27, o acesso às informações deve ser concretizado em até 30 dias, caso a decisão judicial seja mantida. Quando uma ação envolve indisponibilidade, a briga é grande. Vai depender da agilidade nas resposta dos bancos e dos órgãos federais, avaliou Marchioratto.
Na denúncia, o promotor pediu ainda multa individual de R$ 16,3 milhões e acusa o ex-prefeito Daijó de falsidade ideológica. Em resposta a um pedido da Câmara de Vereadores, ele teria emitido um ofício negando as contratações por recibo de prestação de serviços (RPS) principal irregularidade citada na denuncia acatada pela Justiça.
Segundo Marchioratto, durante a administração de Daijó (1997-2000), foram contratadas 1.462 pessoas através de recibo de prestação. Um assessor, por exemplo, ingressou na prefeitura recebendo R$ 681,00 por mês e encerrou o mandato com uma remuneração de R$ 5 mil superior ao salário de um secretário. Da lista constam parentes de 12 dos envolvidos no caso.
O promotor explicou que o tempo de serviço de algumas pessoas contratadas ultrapassou o limite estabelecido em lei. A legislação determina que uma pessoa pode receber através de RPS somente por três meses. Na época da denúncia Marchioratto disse que as contratações irregulares foram usadas como instrumento eleitoral.
A Folha tentou contato com Daijó, mas ele não atendeu pelo telefone celular. Em entrevistas anteriores, o ex-prefeito afirmou que as contratações atendiam as necessidades do quadro funcional do Executivo. Os envolvidos na denúncia podem apresentar recurso no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) para reverter a decisão em primeira instância.
Além das contas de Daijó, o magistrado determinou a quebra de sigilo das contas de Antonio Sadi Buzanelo (ex-secretário de Saúde), Adevilson de Oliveira Gonçalves (Administração), Coiti Suzuki (Fazenda), Alenir Inácio da Silva (Educação), Paulo Noboru Ynoue (Governo e Foztrans), Adilson Ramires Rabelo (Meio Ambiente), Carlos Juliano Budel (Obras), Inelci Savaris (Criança), Irani Garcia (Ação Social), Jorge Elias (Departamento de Recursos Humanos) e Ataliba Ayres de Aguirra Filho (Procuradoria do Município).





