Buenos Aires – A Justiça da Argentina processou ontem o ex-ministro argentino Domingo Cavallo por envio ilegal de armas à Croácia e ao Equador, e decretou sua prisão preventiva e o embargo de seus bens, avaliados em 900 mil pessoas (cerca de US$ 321 mil). A decisão do juiz Julio Speroni é divulgada uma semana depois da detenção de Cavallo, que foi ministro de Relações Exteriores e da Economia no Governo de Carlos Menem (1989-1999) e que ocupou novamente a pasta da Economia na gestão de Fernando de La Rúa (1999-2001).
Em sua sentença, Speroni diz que Cavallo é um ‘‘partícipe necessário’’ num crime de ‘‘contrabando agravado’’, informaram fontes judiciais. Cavallo, detido desde 3 de abril numa ala do quartel da Polícia Nacional reservada para presos de crimes econômicos, assinou os decretos que autorizaram a venda de armas à Venezuela e ao Panamá, durante o governo de Menem.
No período 1991-1995 o armamento foi desviado à Croácia e ao Equador quando por resoluções da ONU estava proibida a venda de equipamentos militares a esses países. O próprio Menem, entre outros que assinaram os decretos, ficou preso por oito meses mas conseguiu a liberdade no dia 20 de novembro, quando a Corte Suprema desprezou a acusação de ‘‘associação ilícita’’ impetrada pelo juiz Jorge Urso, um dos três magistrados que investigaram o contrabando.
Entretanto, está mantida a causa sob análise do juiz do penal econômico Speroni, que inclusive pode citar novamente Menem já que uma corte de apelação revogou a resolução que o beneficiava por ‘‘falta de mérito’’ nesse mesmo processo.
Os advogados de Cavallo denunciaram que sua detenção é produto de pressões do governo de Eduardo Duhalde à Justiça. A esposa do ex-ministro, Sonia Abrazian, disse que Cavallo é um preso político e que, em 20 de dezembro, dia em que De la Rúa renunciou em meio a graves incidentes, houve um golpe de Estado.
Pressão – O governo assegurou hoje que ‘‘não tem nenhuma estratégia’’ para que Carlos Menem e Domingo Cavallo fiquem presos pela causa das armas e considerou que a informação sobre uma suposta recomendação do chefe dos serviços de inteligência (Side), Carlos Soria, a vários juízes para que atuem neste sentido, ‘‘está fora de contexto’’.
O secretário-geral da Presidência, Aníbal Fernández, disse que o governo não influenciou a Justiça para que Cavallo ficasse detido por suposto contrabando de armas e defendeu Soria, ao assegurar que, ‘‘conhecendo’’ o funcionário, não se pode atribuir-lhe esse tipo de manobra.
Segundo confirmaram quatro magistrados ao jornal ‘‘La Nación’’, o chefe da Side comunicou em janeiro passado a vários juízes que o governo recomendava a detenção do ex-ministro Cavallo e dos banqueiros Carlos Rohm e Eduardo Escasany.

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