Curitiba - A 1 Vara Cível em Curitiba declarou indisponíveis os bens do espólio do ex-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, que morreu em outubro de 2003, aos 68 anos. A decisão, em caráter liminar, saiu com base em uma auditoria que foi feita pela atual gestão nas contas do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), uma das entidades que compõem o sistema Fiep.
A auditoria embasou um pedido de ressarcimento, na Justiça, por parte do IEL. Segundo a Fiep, foi detectado pela auditoria um desvio de recursos no valor de R$ 32 milhões no instituto.
O IEL é responsável por projetos e estágios no sistema Fiep. Quando o dono da Nutrimental, Rodrigo Rocha Loures, assumiu a presidência da Fiep, em outubro de 2003, começou uma auditoria nas contas da Fiep. O trabalho foi feito pela empresa Trevisan. Rocha Loures assumiu logo após a morte de Carvalhinho, causada por uma infecção generalizada dos órgãos.
Conforme a apuração dos auditores, os desvios no IEL aconteciam através da emissão de notas frias, para projetos que não saíam do papel.
A atual direção da Fiep encaminhou então o resultado da auditoria para o Ministério Público (MP) estadual, que em novembro do ano passado fez uma denúncia criminal. O IEL, na tentativa de reaver o dinheiro, também foi à Justiça e pediu na liminar a indisponibilidade dos bens, que foi concedida. A decisão da 1 Vara Cível é do dia 31 de janeiro, mas só foi tornada pública ontem.
José Cid Campêlo, o advogado do filho mais velho de Carvalhinho, José Carlos Gomes Carvalho Júnior, estava ontem à tarde em reunião em seu escritório para definir a estratégia de defesa, pois cabe recurso da decisão. Há uma disputa entre o filho mais velho e a filha caçula, do segundo casamento, Rafaela, e ainda não há um inventariante para o espólio. A mulher de Carvalhinho, Nani Carvalho, também é falecida.
A denúncia feita pelo MP foi protocolada pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), contra Ubiratan de Lara, superintendente do IEL, e outro funcionário. Segundo o Ministério Público, os dois teriam sido coniventes e auxiliado no desvio de R$ 1.847.610,30 dos cofres da entidade, valor menor que o apurado pela auditoria.
Segundo as investigações do MP, o IEL liberava cheques para projetos especiais que não aconteciam, encomendados pela presidência da Fiep. Para que não saíssem do sistema da diretoria financeira do instituto, os cheques em geral não superiores a R$ 10 mil eram endossados em recibos pelo superintendente do IEL, que assim conseguia trocá-los direto em uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF) que funcionava dentro da Fiep. A PIC apurou pelo menos 194 operações como essa. Ubiratan de Lara não foi encontrado pela Folha para comentar o assunto.

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