O juiz Marcos José Vieira, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Londrina, negou a liminar que pedia aposentadoria do servidor público afastado da Prefeitura de Londrina Ossamu Kaminagakura. Funcionário de carreira há 25 anos, o engenheiro civil responde a três PADs (processos administrativos) e é réu na Operação ZR3 por supostamente exigir propina em troca de facilidades no andamento de processos de alteração de zoneamento urbano quando ocupava a diretoria de loteamentos na Secretaria Municipal de Obras.

Funcionário de carreira há 25 anos, Kaminagakura foi acusado pelo MP de cobrar propina para aprovar projetos de zoneamento
Funcionário de carreira há 25 anos, Kaminagakura foi acusado pelo MP de cobrar propina para aprovar projetos de zoneamento | Foto: Gina Mardones/04-05-2018



Em um desses PADs, a Corregedoria-Geral do Município indicou a demissão do servidor e o processo está na Secretaria de Governo à espera de um decreto do prefeito Marcelo Belinati (PP). Ao negar o pedido de aposentadoria, o magistrado citou o processo da prefeitura que está em fase recursal. "Ademais, inexiste risco de perecimento do direito caso se analise o pedido de liminar após as informações, certo como é que o impetrante não teve a sua remuneração suspensa pela Administração."

O PAD que indica a demissão é referente a uma investigação aberta em 2016 que apurou que ele teria supostamente descumprido uma diretriz do Ippul (Instituto Pesquisa e Planejamento Urbano) e da Secretaria de Educação ao determinar a contrapartida de três novos empreendimentos em Londrina em favor de empreiteiras. Segundo o corregedor-geral Alexandre Trannin, as loteadoras teriam que construir três escolas completas. Contudo, o parecer assinado por Kaminagakura teria determinado apenas a construção de salas de aula.

"Este processo já passou pela segunda instância administrativa e está na secretaria de Governo à espera de uma definição do prefeito, que pode acatar ou reformar a decisão." disse.

Histórico
A Corregedoria também instaurou uma sindicância para apurar os fatos deflagrados no âmbito da ZR3. Ele chegou a ser preso em março após ser descoberto um cheque de R$ 30 mil que seria destinado a Kaminagakura a título de propina. Mas atualmente responde ao processo criminal em liberdade, com algumas medidas restritivas como monitoramento por tornozeleira eletrônica. Neste período o servidor continua recebendo normalmente o salário no valor bruto de R$ 14,2 mil. A FOLHA entrou em contato com a defesa de Ossamu Kaminagakura, mas não obteve retorno.

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