Curitiba – Uma perícia realizada pela Justiça Federal do Paraná apontou que o imóvel do ex-deputado André Vargas, localizado no Alphaville Londrina, na zona sul da cidade, está avaliado em R$ 2 milhões. O bem foi judicialmente sequestrado no último dia 10, mesma data em que Vargas foi preso, atendendo um pedido do Ministério Público Federal (MPF). O auto de sequestro, determinado juiz federal Sérgio Moro, foi formalizado ontem, com entrega da notificação para a esposa do ex-parlamentar, que ainda reside no imóvel.
O lote em que a casa foi construída possui 601,20 metros quadrados e foi avaliado em R$ 600 mil. Com a residência de dois pavimentos e outras benfeitorias (piscina, por exemplo), a avaliação total chegou aos R$ 2 milhões. A estimativa ainda levou em consideração o mercado imobiliário local. Conforme as investigações, a suspeita de lavagem de dinheiro na compra da casa surgiu diante da diferença de valores declarados por Vargas e pela esposa na aquisição do imóvel. Enquanto o casal declarou ter comprado o imóvel por R$ 500 mil, o vendedor declarou à Receita Federal ter vendido a casa por R$ 980 mil.
"A realização de transações vultosas em espécie não é ilícita, mas trata-se de expediente usualmente utilizado para evitar rastreamento de dinheiro sem origem lícita. Ora, a apresentação de declaração à Receita Federal de aquisição de patrimônio por valor muito inferior ao real configura indício veemente de crime de sonegação fiscal", ressalta em seu despacho o juiz federal Sérgio Moro. "Em vista dos indícios já apontados de que o imóvel em questão constitui objeto de crime de lavagem de dinheiro e, portanto, produto de crime antecedente, defiro o requerido e decreto o sequestro do imóvel", completou o magistrado.
Edilaira Soares Gomes, mulher de Vargas ficou como depositária do imóvel, ou seja, poderá permanecer morando no local com sua família. Entretanto, conforme adiantou o MPF, o imóvel poderá ser leiloado ou revertido para a União ao término do processo, caso sejam julgadas procedentes as alegações da investigação.

TRANSFERÊNCIA
A Polícia Federal (PF) solicitou que mais um preso investigado na Lava Jato seja transferido para o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Desta vez se trata do publicitário Ricardo Hoffmann, detido no último dia 10, que teve a prisão temporária convertida em preventiva. Ele é ex-diretor da agência Borgui/Lowe, que solicitava às empresas subcontratadas a realização de serviços de publicidade legais, entretanto, as orientava a realizar pagamentos de comissões devidas (no valor de 10% dos contratos) para contas das empresas Limiar e LSI e que eram controladas por André Vargas e seu irmão Leon. O pedido de transferência foi feito ao juiz federal Sérgio Moro, "considerando a intensa rotatividade de presos e as limitações de vagas existentes na custódia da Superintendência da Polícia Federal no Paraná", ressaltou a autoridade policial. O magistrado ainda não decidiu sobre o pedido.
Moro autorizou ontem a transferência para o CMP de Guilhermes Esteves (um dos operadores do esquema) e Dario de Queiroz Galvão (executivo do Grupo Galvão). Encontram-se presos no CMP 11 investigados da Lava Jato, entre executivos e operadores do esquema de corrupção e desvio de dinheiro da Petrobras. Na carceragem da PF, além de Hoffmann, também seguem detidos Alberto Youssef; Nestor Cerveró (ex-diretor da Área Internacional da estatal); João Vaccari Neto (ex-tesoureiro do PT); José Luiz Argôlo (ex-deputado); Pedro Corrêa (ex-deputado PP-PE); Ricardo Pessoa (presidente da UTC); Gerson de Mello Almada (executivo da Engevix); e Marice Corrêa de Lima (cunhada de Vaccari).

TESTEMUNHAS
O Ministério Público Federal (MPF) arrolou os executivos da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini e Eduardo Hermelindo Leite, que cumprem prisão domiciliar após terem os acordos de delação premiada homologados, como testemunhas de acusação no processo que apura crimes de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro. Nesta ação penal constam como réus o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque; e o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto. Os procuradores também arrolaram 13 funcionários da Petrobras que participam das Comissões Internas de Apuração da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária; e da Refinaria de Paulínia (SP). As audiências estão marcadas para os dias 18, 20 e 22 de maio.

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