Justiça autoriza retirada de tornozeleira de Mário Takahashi
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quarta-feira, 25 de abril de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
Depois do vereador Rony Alves (PTB), o juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, revogou o uso de tornozeleira eletrônica para Mário Takahashi (PV), presidente afastado da Câmara Municipal desde o início da Operação ZR-3, ou Zona Residencial 3, deflagrada em janeiro pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para investigar a existência de um possível grupo criminoso para mudanças pontuais de zoneamento em Londrina. O benefício também foi concedido aos empresários José de Lima Castro Neto e Brasil Filho Theodoro Mello de Souza. Em ambos os casos, o Ministério Público quis a prorrogação do monitoramento, pedido não aceito pelo magistrado.

Assim como Alves, Takahashi permanece cumprindo outras imposições judiciais, como a proibição de se aproximar da Câmara Municipal e Prefeitura de Londrina. Os denunciados deverão comparecer em até 48 horas no Fórum para firmarem compromisso de cumprimento das demais medidas cautelares. A expectativa é que eles também sejam direcionados ao Creslon (Centro de Reintegração Social de Londrina), na região leste, para retirar o equipamento. "A defesa entende que a decisão foi justa, pois não havia qualquer motivo que justificasse a prorrogação, tendo em vista o encerramento das investigações e a ausência de mínimas evidências", mostrou o advogado Michel Neme Neto, que defende o parlamentar afastado.
O advogado dos empresários investigados, Walter Bittar, classificou a decisão "como acertada. Ela permite, em parte, que a defesa trabalhe com menos restrições para demonstrar a inocência dos acusados e o absurdo que é essa acusação". A mesma opinião foi dada à FOLHA pelo defensor de Rony Alves, Maurício Carneiro. "O despacho foi positivo. Assim, ele (vereador afastado) poderá retomar as suas atividades. Ele não cometeu qualquer ilícito", ponderou.
Entre as 13 pessoas denunciadas pelo Ministério Público, duas continuam presas: o empresário Vander Mendes Ferreira e o servidor municipal Ossamu Kaminakagura, ex-diretor de Loteamentos da Secretaria de Obras. Junto com Luiz Guilherme Alho, a dupla foi presa no final de fevereiro durante desdobramentos da ZR-3. Na época, o promotor Leandro Machado explicou que novos fatos teriam sido descobertos em documentos e celulares apreendidos. Dez dias depois, Alho conseguiu reverter a detenção para domiciliar.
Ainda conforme o MP, a suposta organização era formada pelo ex-secretário do Ambiente de Londrina, Cleuber Brito, e a ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) na gestão Alexandre Kireeff, Ignes Dequech. A 2ª Vara Criminal não informou data para início das audiências de instrução. Os réus arrolaram 73 testemunhas.
(atualizado às 8h30)


