O usuários da BR-369 e PR-323, que aproveitaram o feriado para viajar, foram surpreendidos ontem por um reajuste de 7,93% no valor do pedágio cobrado pelas três praças da Econorte, na região norte do Estado.
O reajuste foi autorizado pela Justiça Federal em Curitiba, através de uma ação ordinária ajuizada pela concessionária e passou a vigorar à zero hora de ontem. No recurso, a Econorte requereu a declaração de legitimidade da cobrança de degrau tarifário pactuado entre a concessionária e o governo Jaime Lerner em 2002. A assessoria de imprensa da Justiça Federal não soube informar qual juiz permitiu o reajuste.
Na praça de Jataizinho (21 quilômetros a leste de Londrina), localizada na BR-369, o pedágio para carros de passeio passou de R$ 5,10 para R$ 5,50. Na praça de Jacarezinho (Norte Pioneiro), também na BR-369, o motorista que pagava R$ 4,70 agora paga R$ 5,10, e em Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio), na PR-323, o pedágio subiu de R$ 4,40 para R$ 4,60.
A Folha tentou entrar em contato com a Econorte, mas nenhum diretor foi localizado ontem. A assessoria de imprensa da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) informou que somente foi comunicada da decisão da Justiça Federal.
Em março, a concessionária chegou a aplicar o reajuste de 7,93% por quatro dias. O reajuste foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O engenheiro agrônomo Wiliam Guerreiro considerou abusivo o reajuste sem nenhum comunicado à população. ''É um absurdo. Me pegou de surpresa. Devia ser feito uma tabela expondo ao usuário porque aumentou'', reivindicou. ''Eu nem sabia do reajuste. Tinha que ser avisado. Ser pego de surpresa é sempre difícil'', disse o comerciante Aldo Pereira.
Segundo o agricultor Milton Bissi, uma estrada de paralelepípedos localizada ao lado da BR-369, e que dá acesso a várias propriedades rurais, vêm sendo usada como desvio por quem quer fugir do pedágio. ''Eu utilizo esta estrada porque tenho uma propriedade aqui, mas tem bastante gente usando como desvio'', assegurou.
O operador de máquinas Maurício Fernandes, que reside em Ibiporã e trabalha em Assaí, utiliza a estrada quase todos os dias e calcula que gastaria o dobro de dinheiro se trafegasse pela BR. ''Vou até Assaí por este caminho. Não tem condição de pagar todo dia o pedágio. Seriam R$ 11 só de pedágio e gasto R$ 10 de gasolina'', contabilizou.

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