A Justiça Eleitoral em Pernambuco autorizou a instauração pela PF (Polícia Federal) de inquérito para apurar esquema de candidatura laranja do PSL no estado. 
Maria de Lourdes Paixão recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. Ela teve 274 votos e gastou R$ 380 mil em uma única gráfica com endereço suspeito de ser de fachada.

Lourdes, 68 anos, que oficialmente concorreu a deputada federal, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos. Em nota divulgada nesta segunda-feira (7), o TRE-PE informou que a PF pediu autorização para investigar o caso no último dia 22.

Antes da abertura formal da investigação, ela prestou esclarecimentos à Polícia Federal no dia 20 de fevereiro. Após o término do depoimento, o advogado Ademar Rigueira informou que ele está sendo pago pelo próprio PSL para fazer a defesa de Maria de Lourdes.

Na ocasião, ele demonstrou irritação ao ser indagado por uma jornalista sobre quem pagaria pelos seus serviços. "Você é da Receita Federal?", questionou.
Apesar de ser uma das campeãs de verba pública do PSL, Lourdes teve uma votação que representa um indicativo de candidatura de fachada, em que há simulação de atos de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos.

O advogado da candidata declarou que o fato de Lourdes ter recebido R$ 400 mil de verba pública eleitoral a quatro dias da eleição se deve ao fato de ela ser uma aposta do PSL. Segundo ele, Lourdes e Luciano Bivar, deputado federal e presidente nacional do PSL, têm uma ligação que dura mais de 30 anos. O advogado afirmou que o material foi efetivamente rodado, mas, apesar de toda a repercussão do caso, não soube precisar o endereço da gráfica.

A prestação de contas de Lourdes, que é secretária administrativa do PSL de Pernambuco, sustenta que ela gastou 95% desses R$ 400 mil na gráfica Itapissu para a impressão de 9 milhões de santinhos e cerca de 1,7 milhão de adesivos, às vésperas do dia do primeiro turno, em 7 de outubro.
Cada um dos quatro panfleteiros que ela diz ter contratado teria, em tese, a missão de distribuir, só de santinhos, 750 mil unidades por dia -mais especificamente, sete panfletos por segundo, no caso de trabalharem 24 horas ininterruptas.

LARANJA DE MINAS
O procurador-regional Eleitoral de Minas Gerais, Angelo Giardini de Oliveira, instaurou nessa quinta-feira (7) uma investigação para apurar indícios de caixa dois na campanha do PSL-MG, comandado na época da campanha pelo atual ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio.
A investigação tem como um dos pressupostos a não declaração pelo partido da confecção de cerca de 25 mil santinhos da candidata Zuleide Oliveira.
O ministro do Turismo recorreu nesta quarta (6) da decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux que manteve na primeira instância em Minas Gerais a investigação sobre as candidatas laranjas do PSL.

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