Curitiba – O juiz federal Sérgio Moro, que está à frente dos processos da Operação Lava Jato que tramitam na 13ª Vara Federal Criminal, autorizou a transferência dos três ex-deputados André Vargas (sem partido-PR), Luiz Argôlo (afastado do SD-BA) e Pedro Côrrea (desfiliado do PP-PE) da carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) para o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A previsão é de que eles deixem a PF na manhã de hoje e sigam com escolta até o presídio.
Além deles, também foi confirmada a transferência para o sistema penitenciário do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto. O pedido também havia sido feito em relação ao ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, entretanto foi negado. A justificativa dada pelo juiz é de que uma das ações penais em que o ex-diretor é réu está em fase final.
A decisão atende um pedido feito pelo delegado Igor Romário de Paula, que coordena as investigações da Lava Jato, informando de dificuldades de espaço na carceragem da PF. Vargas, Argôlo e Corrêa estão presos desde o dia 10 de abril e são réus em processos que apuram os crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção. Vaccari é réu em duas ações penais e acusado dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ele está preso desde o dia 15 de abril.
Segundo a advogada de Vargas, Nicole Trauczynscki, nenhuma medida será tomada até que ela converse com o ex-deputado sobre a decisão de Moro. Já Pedro Scavuzzi, defendor de Argolo, informou que não vai questionar a transferência para o CMP. Luiz Flávio Borges D´urso, advogado de Vaccari; e Michel Saliba, defensor de Pedro Corrêa; não retornaram às ligações da reportagem.
A ala em que os réus da Lava Jato estão no CMP é destinada a receber policiais presos e detentos que possuem curso superior. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), ao entrar na cela, cada preso recebe um kit que tem, entre outras coisas, escova de dentes e papel higiênico. A divisão, de três presos por cela, será feita pela PF. Cada uma das celas tem três camas e o banheiro é coletivo e será dividido com cerca de cem presos do CMP. Ainda de acordo com a Sesp, as celas não têm TVs, mas os presos da Lava Jato poderão negociar a demanda com a diretoria penitenciária. Os presos terão direito a uma hora por dia de banho de sol e a duas horas e meia de visitas coletivas aos finais de semana. A alimentação também será igual a de todos os outros detentos.
Segundo decisão de Moro, os quatro réus ficarão em ala reservada, com boas condições de segurança e acomodação. "De fato, a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos", diz o magistrado em sua decisão proferida na tarde de domingo.
Outros envolvidos na Lava Jato que estão presos no CMP são o ex-diretor da área de Serviços da estatal Renato Duque; Fernando Soares, o "Baiano", apontado pelas investigações como lobista do PMDB no esquema de corrupção; Guilherme Esteves de Jesus, apontado como operador do Estaleiro Jurong; Mário Góes, um dos operadores do esquema de desvios; e Adir Assad, apontado como operador da Mendes Júnior. Outros dez empreiteiros que estavam no CMP foram beneficiados com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e agora estão em prisão domiciliar.

DETIDOS NA PF


Seguem detidos na carceragem da PF, o doleiro Alberto Youssef, peça-chave das investigações; o publicitário Ricardo Hoffmann, que negocia um acordo de colaboração premiada com o MPF; além de Milton Pascowitch, apontado como um dos operadores do esquema; e Nestor Cerveró. A doleira Nelma Kodama e sua subordinada, Iara Galdino da Silva; que já foram condenadas, estão na carceragem da PF prestando depoimentos em outros inquéritos.

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