Curitiba - O juiz da 2 Vara Federal Criminal em Curitiba, Sérgio Moro, deferiu no final da tarde de ontem o pedido de exumação do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário do Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos, mais conhecido como Osvaldinho. O pedido foi feito pela CPI do Banestado, que levantou dúvidas sobre a morte do ex-secretário da gestão Jaime Lerner (PSB) após ouvir uma série de depoimentos e constatar que faltam documentos comprovando a morte dele. No feriado de 7 de Setembro de 1998 Osvaldinho foi vítima de um acidente de automóvel, na região de Palmeira. O Ômega dirigido pelo ex-secretário bateu de frente com um caminhão. O corpo está enterrado no Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba.
Segundo o despacho, a exumação deverá ser realizada pela Polícia Federal em Brasília e instituições conveniadas, exceto o Instituto Médico Legal (IML) do Paraná. A exclusão do IML tem como objetivo evitar novas especulações sobre o caso, já que em 1998 o corpo foi encaminhado para o IML estadual. A Justiça Federal explicou que isso não significa demérito sobre o IML. A decisão do juiz determina ainda que a exumação seja feita em, no máximo, 30 dias, com prévia comunicação à 2 Vara, que já informou a família de Osvaldinho.
O presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), disse que ainda não decidiu quando será feita a exumação. Segundo ele, a Assembléia terá que arcar com as despesas do procedimento.
A Folha tentou ouvir ontem Claudio Colaço, advogado da família de Osvaldinho, mas, segundo sua secretária, ele estava em uma audiência. Em entrevista anterior à Folha, Colaço disse que a família está disposta a colaborar com o exame de DNA, fornecendo material genético para comparação. No final da tarde, a Justiça Federal informou que os advogados dos filhos do ex-secretário (Thiago Luvizotto e Joaquim dos Santos Neto) compareceram à Justiça, informando a disposição da família em colaborar. A 2 Vara já determinou a realização de teste de DNA.
De acordo com o relator da CPI, deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), as suspeitas começaram porque não foram feitas fotos do corpo no local do acidente, procedimento comum nessas situações, além de faltarem documentos que comprovariam a identidade do corpo.
Na época de sua morte, Osvaldinho era alvo de investigação do Ministério Público, que apurava prejuízos de R$ 600 milhões causados ao Banestado, originados em empréstimos feitos a empresas que não tinham condições financeiras de restituir os valores.

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