Justiça arquiva caso de cestas básicas
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quarta-feira, 20 de setembro de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A Justiça Eleitoral de Cascavel determinou ontem o arquivamento do inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar compra de votos com cestas básicas. O crime foi atribuído, segundo a PC, a integrantes da Coligação Paz e Progresso, do candidato a prefeito Edgar Bueno (PDT). A coligação vinha denunciando o caso como uma armação, com envolvimento de membros da Cascavel mais Coração, do candidato Tiago Novaes (PTB) e da própria cúpula local da Polícia Civil.
A decisão pelo arquivamento, do juiz Sérgio Kreutz, tem expressiva repercussão nesta reta final da campanha. A coligação de Tiago havia pedido a cassação do registro do candidato a vereador Marcos Damaceno (PDT) e do próprio Bueno, a quem supostamente a distribuição de cestas favoreceria.
O caso se iniciou na semana passada, quando a Polícia Militar recebeu denúncia anônima e foi investigar. Na zona Norte, a PM encontrou Jackson Rodrigues, de 19 anos, e um menor, com três sacolas de alimentos. Eles disseram que compraram os alimentos em uma mercearia e que os santinhos de Damaceno (no verso, de Bueno) que estavam na sacola foram achados na rua.
A PM não fez flagrante. Mas na delegacia da PC, o delegado de plantão Donizete Botelho ouviu os detidos, formalizou um termo circunstanciado sem flagrante e liberou o menor. Horas mais tarde chegou o delegado Nobuo Nagasse, e tomou novo depoimento de Jackson. Segundo Nagasse, Jackson teria dito espontaneamente que havia sido contratado por um tal de Roberto, e que este estava a serviço da coligação de Edgar. O delegado-chefe da 15ª SDP, Haroldo Davison (alvo de críticas diretas da coligação), chegou a criticar Donizete Botelho, acusando-o de não agir corretamente, e disse ter avocado para si o inquérito.
Pouco depois, com cópia do depoimento de Jackson, a Coligação Cascavel mais Coração ingressou na Justiça contra Edgar, pedindo também busca e apreensão de supostas cestas que estariam em um depósito do ex-prefeito Jacy Scanagatta. Mas no local foram encontrados apenas alimentos não perecíveis arrecadados em uma gincana realizada pela Rádio Capital, de Scanagatta. Ele disse ter determinado que os alimentos só fossem distribuídos após as eleições.
O Ministério Público Eleitoral considerou inconsistentes os elementos da Polícia Civil no inquérito, além da inexistência de qualquer prova de que algum membro da Paz e Progresso efetivamente tenha contratado os rapazes na zona norte. Também considerou impróprio o envolvimento de Damaceno e Bueno.


