Justiça apreende propaganda de Alvaro Dias
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de outubro de 2002
Cristiane Oya <Br>Reportagem Local 
Dois oficiais de justiça apreenderam ontem material de propaganda eleitoral do candidato a governador do Estado, Alvaro Dias (PDT), no Sindicato dos Condutores Autônomos de Táxis Rodoviários de Londrina.
O mandado de busca e apreensão foi expedido pelo juiz da 157 Zona Eleitoral, João Clève Machado, em um pedido de providências ajuizado pelo PMDB, partido do adversário de Alvaro na disputa ao Palácio Iguaçu, Roberto Requião. Também foram apreendidos um bloco de requisições de combustível em nome do sindicato e uma lista com 350 nomes e dados dos taxistas e dos veículos filiados a entidade.
''O PMDB narra que o Sindicato dos Taxistas de Londrina vem intermediando doação de combustível aos taxistas locais, em troca de fixação nos referidos veículos, de propaganda eleitoral do candidato a governador Alvaro Dias, fato que configuraria crime eleitoral'', diz o promotor Cláudio Esteves no parecer encaminhado ao juiz.
O presidente do sindicato, Antonio Pereira da Silva, afirmou que o benefício não tem conotação eleitoral. ''Os taxistas que estão em dia com as mensalidades do sindicato durante os três anos, estão sendo sorteados para eles dez litros de gasolina ou 15 de álcool em agradecimento'', justificou Silva. Depois afirmou que todos os filiados em dia com a contribuição, cerca de 70% dos 350, teriam direito ao combustível. Cada taxista paga mensalmente R$ 6,00 ao sindicato, somando, no máximo, R$ 2,1 mil. O combustível para todos os filiados em dia significaria R$ 4,1 mil. Silva disse que não sabe quantos taxistas retiraram a requisição no sindicato. ''Esse adesivo não tem nada a ver com política. O sindicato apóia o Alvaro Dias porque ele fez o trabalho (no Senado) para o sindicato.'' No despacho, Machado concedeu também uma liminar determinando que os taxistas retirem os adesivos de campanha dos carros dentro de 24 horas, sob pena de crime de desobediência.
Silva entende que os taxistas não estão proibidos de veicular propagandas nos veículos. ''Se ela não estiver no pára-brisa e atrapalhar a visão do motorista eu não vejo porque será proibida pela CMTU. O taxista é dono do carro dele e se ele quiser colocar uma propaganda no carro dele, fica a vontade dele'', afirmou. A Folha tentou entrar em contato com o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, mas ele não foi localizado.
''Não há essa possibilidade de repreensão se há o decalque ou não do Alvaro Dias. Isso não tem causado nenhum impacto a eleição e no meu entender não há ilegalidade nenhuma que haja esse apoio dos taxistas ao Alvaro Dias'', disse o advogado da Coligação Vote 12, Adolfo Góis.''Há a denúncia (de troca de combustível por apoio), mas não temos comprovação. Isso depende de investigação'', justificou o advogado do PMDB, Luiz Delazari.


